Inferior é o Car*lhø (Angela Saini)


Embora eu tenha sido criada numa família com certos costumes... huuum... conservadores (?), muitas das coisas que minha mãe me dizia são condizentes com meus pensamentos atuais. "Não deixe nenhum homem mandar em você", ela dizia. Mas, ao mesmo tempo, eu ouvia falas como "coisa de menina" ou "se dê ao respeito". No auge dos meus sete anos de idade eu não tinha a cara e a coragem que tenho hoje para questionar certos argumentos.

No entanto, um episódio marcou bastante a minha infância: fui a uma festa de aniversário de uma colega. Na hora de abrir os presentes ela ficou radiante ao ver tinha ganhado o carrinho de controle remoto que havia pedido aos pais. Foi instantâneo: as pessoas, adultos e crianças, começaram a dizer que era "brinquedo de menino". Aquilo me incomodou demais, e eu fui uma das pessoas que foi com ela para dentro de casa; disse que poderia brincar com o que ela quisesse.


A verdade é que desde que o mundo é mundo o machismo existe. Minha professora de Psicologia Social já falou que ninguém sabe como o machismo começou, pois ele sempre esteve presente na sociedade. Já faz séculos que pensamentos e esteriótipos misóginos e sexistas são perpetuados, e, com eles, surgem pesquisas equivocadas, por exemplo sobre as 142 gramas que faltam ao cérebro feminino. Infelizmente, muitos acabam aceitando esses disparates como verdade. Inferior é o Car*lhø, da jornalista Angela Saini, chegou para mostrar como a ciência, como os homens, sempre tiveram errados em relação às mulheres. Em relação a nós!


É costume confiarmos cegamente no que a ciência diz. O que muita gente não percebe ou simplesmente se recusa a ver é que muitos dos estudos feitos até hoje foram realizados por homens. Segundo o próprio Charles Darwin, as mulheres eram "menos evoluídas" do que os homens. Claro que temos que levar em consideração que são épocas diferentes, e que algumas pessoas foram criadas para acreditar em certos paradigmas. Mas é muito revoltando que ainda hoje tenhamos que ouvir comentários machistas.

Inferior é o Car*lhø nos trás um texto excepcional de alguém que se dedicou totalmente a provar que as mulheres não são inferiores aos homens. As diferenças entre os sexos podem até existir no âmbito biológico, mas a ideia de que as mulheres são incapazes, intelectualmente inferiores, frágeis, castas... tudo isso se dá por uma construção social baseada em sandices. Claro, sandices essas que existem há séculos. As diferenças biológicas existentes entre os sexos devem ser desvinculadas da ideia de superioridade ou inferioridade.

O texto do livro está repletos de opiniões de especialistas, grande parte mulheres, que, assim como Angela Saini, estão convictos de que as diferenças entre homens e mulheres é social e cultura, não biológico como muitos estudos científicos que utilizam de esteriótipos de gênero querem provar. Além de também serem abordados assuntos como questões de gênero (porque sexo e gênero são coisas diferentes), a história da humanidade e a velhice.


Como mulher e feminista, posso dizer que achei um livro fantástico. Provavelmente um homem ou até mesmo uma mulher com um pensamento muito estigmatizado não acharia o mesmo que eu, pelo menos a princípio. E é por isso que esse livro é tão importante. Ele desconstrói ideais ultrapassadas já há muito reforçadas!

Eu nunca me senti inferior por ser mulher, mesmo com minha criação levemente machista. Depois que conheci o feminismo e passei a estudar, minha mente se abriu ainda mais. Não acredito mais "cores de menino" e "cores de menina", nem em características masculinas ou femininas.


Esse não é um livro apenas para mulheres ou feministas; é um livro para todos, meninos e meninas. Esqueçam as diferenças que nos foram impostas ao longo da vida. Querendo ou não, a luta pela igualdade, mesmo sendo protagonizada por mulheres, deve contar com ajuda de ambos os lados. E, garotos, as mulheres estão reescrevendo sua história nesse momento da humanidade; não tentem falar de um sofrimento pelo qual vocês não passam, e de uma luta que não é de vocês! Apoiem, lutem ao lado das mulheres, mas ciente dos seus próprios privilégios por serem homens.


No pacote que a Caveira me mandou veio esse botton lindo! ♡


Inferior é o Car*lhø faz parte da linha Crânio que se dedica a publicar livros de não-ficção. Não tenho certeza, mas acho que todos os livros desse selo estão em brochura. Claro que isso não diminui em nada a qualidade da edição: está toda em detalhes vermelhos, preto e branco. No início de cada capítulo tem uma collage art linda!

Ah, mais uma coisinha... eu posso estar errada, mas nos Agradecimentos Especiais estão os nomes de várias mulheres que trabalharam e apoiaram o livro. E eu encontrei o meu! Ok, é só um "Luana", mas como eu reconheci diversos nomes de parceiras da editora, não pude deixar de sorrir com isso.

Não existem meias palavras para corrigir o que foi perpetuado, a verdadeira conquista é poder contar a verdade.

Espero que todos tenham a oportunidade de ler esse livro. Ele é incrível! Foi minha primeira leitura de 2019, e tenho certeza que foi uma amostra do quão incrível literariamente falando meu ano pode ser. Vocês podem comprar o livro aqui e também dar uma olhadinha nos produtos que a Printerama fez em parceria com a DarkSide.

Com amor, L ❤️

43 comentários :

  1. O título é bem forte - gostei - e acho que ia adorar o livro <3
    Também não suporto essa ideia de "coisas de menina" e "coisas de menino", revi-me muito na tua opinião!

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    1. Ficar separando as coisas entre o que é de um e o que é de outro só vai reforçar mais ideias sexistas. Espero que consiga ler o livro!

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  2. UAU!
    Esse livro é um verdadeiro tapa na cara da sociedade, especialmente no contexto em que vivemos hoje.
    Adorei a forma como você conduziu a resenha e expôs a sua opinião sobre o assunto, muito bem escrito e amarradinho. Adorei! Parabéns!

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    1. Fico muito feliz que tenha gostado, chuchu. Se eu puder incentivar uma única pessoa a ler o livro eu já me sinto suficientemente realizada!

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  3. Que livro lindo <3 Precisamos deste tipo de literatura, que quebra estereótipos e paradigmas sexistas e preconceituosos. A resenha ficou ótima como sempre e as fotos estão maravilhosas!
    ^-^

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  4. Me apaixonei por esse livro e já quero adquirir! Sua resenha foi super empolgante, me cativou. Já coloquei esse livro como uma meta de leitura!

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  5. Amei esse livro por completo. O visual dele me chamou muito a atenção, é o tipo de livro que prende minha atenção. Ótimo!!

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    1. Tenho certeza que vai adorar ter o livro em mãos <3

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  6. Ah como eu gosto da fotografia do seu blog, todas tão lindas. Eu ainda não conhecia esse livro, mas ja quero comprar porque acho importante educarmos de outra forma nossas meninas e meninos e esse livro parece acrescentar muito.

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    1. Obrigada pelo carinho, lindinha! É justamente disso que o livro trata: educar da forma certa as pessoas :)

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  7. Flor, parabéns por esse texto lindo. Adorei o livro, a arte das folhas e capa. E quero ler ele o mais breve possível. Eu fui criada em um ambiente super conservador, e bem, minha mente expandiu tanto que não consegueria fechar os olhos para o disparate que vivemos por sermos apenas MULHERES. Livro necessário e maravilhoso! Abraços!

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    1. Que bom que gostou, fofinha! Tenho certe que você vai amar a leitura, ainda mais por já ter noção do quanto pode difícil simplesmente ser mulher.

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  8. Eu lendo o título "Como assim, Luana?" Kkkkk gostei do título desse livro e assim como todos os livros que vc faz resenhas aqui eu quero ler esse também. Fui criada em um lar bastante Conservador, mas nunca deixei de pensar por mim msm, sempre quis minha liberdade e depois que me descobri feminista então...
    Suas resenhas nunca me decepcionam ❤

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    1. Haha, eu falo palavrão também. Obrigada pelo carinho, moça <3
      É tão quando, independente da nossa criação, conseguimos pensar em nós mesmas e nas outras mulheres!

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  9. Que livro forte hein, hehehe. Só o título já chama a atenção. Quero ler em breve.

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    1. Eu adoro livros que têm palavrões no título, pois soa como algo proibido haha.

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  10. Veio até com botton haha ameiii! A proposta do livro é um tiro de incrível!

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    1. Tem camiseta também! Acho que vou acabar comprando haha :)

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  11. Que capa mais foda! Comentei em outro blog que livros com xingamento me chamam atenção por parecerem rebeldes e esse com certeza é, já adicionei na minha lista de prioridade. Parabéns pela resenha maravilhosa!

    https://blink-moments.blogspot.com/

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    1. Esse livro é essencial a todos. Fico muito feliz em saber que se interessou em ler ;)

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  12. Sei bem o que é conviver com o machismo e é uma lástima que ainda é perpetuado por muitos como uma coisa natural, normal, tão ruim se sentir inferiorizada :/ Fiquei feliz com o seu nome nos agradecimentos <3 Acredito que esse livro esclareça muitas coisas, a gente precisa de mais leituras impactantes assim.
    Um beijo

    De cara com a Juh

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    1. É muito triste o modo como algumas pessoas ainda pensam. Livro assim nos dão esperança! <3

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  13. Confesso que estou apaixonada pelo livro e fico mais ainda quando vejo gente falando sobre ele. É um livro que eu estou querendo muito ler e já está na minha lista há tempos.

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  14. Olá!
    NaN conhecia este livro... Eu não me sinto inferior a ninguém e nunca me senti, sou segura de quem sou e do que eu quero, o resto é resto.
    Abraços

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  15. Desde que vi esse livro no seu Instagram eu fiquei louca pra ter ele em mãos! A edição está incrível (Darkside sempre arrasando!), e eu curti bastante as temáticas abordadas.

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    1. Você veio do instagram, que alegria hehe. O livro apareceu bastante por lá mesmo :)

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  16. Girl, você faz parte de uma gama de mulheres que mudaram, mudam e irão mudar o mundo. Você não faz ideia do orgulho que eu sinto em ter te conhecido e te acolhido em meu coração coberta pelo adjetivo "amiga" (não sei se você me vê como seu amigo, mas, bem, isso não é tão importante). Você, assim como muites, está mudando o mundo e lutando não só por você, mas pela sua mãe, sua irmã, sua amiga, sua melhor amiga, sua prima, sua avó, sua tia, sua professora, sua bisavó, dentre muitas outras mulheres (cis ou trans) que batalham absolutamente todos os dias para serem vistas como iguais perante uma sociedade que apenas as vê como nada, ou (para dar uma mínima gota de importância na sua existência) como portadoras de um órgão capaz de dar à luz um novo ser.
    Você precisa ser forte nos dias de hoje. Amanhã é uma nova luta e você, como todas as meninas e mulheres, precisa estar pronta para empunhar suas espadas e escudos. Essa luta vai ser longa, mas você não está sozinha, e nunca sequer ouse se sentir assim! Eu, a cada dia que passa, lutarei ao seu lado e ao lado de todas as mulheres para que um dia as mulheres da minha família e as que ainda nascerão tenham o direito de serem vistas capazes de andar com suas próprias pernas sem pessoas machistas e ignorantes que queiram carregá-las nas costas dizendo à elas que são incapacitadas de andarem por si só.
    Você não é apenas linda (um atributo que todo homem sempre dá à uma mulher, mas quando se trata deles, o atributo é força), você é poderosa, é maravilhosa, é forte e quem sabe invencível! Assim como todas as mulheres você irá conseguir deixar sua marca no mundo e seu nome com certeza será lembrado por ter sido uma garota muito inteligente! Eu amo o feminismo e estarei sempre a postos para fazer com que esse mundo não apenas mude, mas as pessoas chulas também!

    Eu amei o post!
    Bjokas!
    Shuu <3

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    1. Oh, meu querido, é laro que te vejo com um amigo. É maravilhoso o tanto de pessoas excepcionais que conheci graças a internet, e você é uma delas!
      Eu fico imensamente feliz por saber que existem pessoas como você, que reconhecem o quanto é necessária uma mudança no mundo sobre o modo como as mulheres são vistas. Minhas amigas, e até minha antiga terapeuta, já me disseram que eu sou uma pessoa muito corajosa por simplesmente não ficar quieta perante a tanta coisa injusta. Foi-se o tempo que e aceitava as coisas como elas são (machistas, injustas...). Para desconstruir tantos conceitos errados a gente tem que FALAR mesmo! E eu não falo só por mim, mas para todas as pessoas que viverão no futuro.
      Muito obrigada por tudo: sua amizade, carinho e por esse comentário que me emocionou (muito) <3

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  17. Uau, que livraço! Já quero ele na minha coleção!!!
    Sério, nós, seres humanos, PRECISAMOS parar com essa história de que mulheres são inferiores, o "sexo frágil" e tantas mentiras que nos fizeram engolir ao longo do tempo; odeio isso de "coisa de menino" e "coisa de menina", e embora também tenha crescido numa família um tanto tradicional, graças aos céus isso vem mudando com o passar do tempo, especialmente com a minha mãe, que tá cada dia mais e mais feminista e me enchendo de orgulho <3
    Enfim, parabéns pela excelente crítica e pelo reconhecimento da editora no livro (é teu nome lá, mulher! Tu arrasa!!!)

    Abraços e bom final de semana.
    Isabelle - https://blogalgodotipo.wordpress.com/

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    1. Já faz um tempo que eu estou tentando parar de julgar certas opiniões, pois sei que algumas pessoas foram criadas para acreditar em paradigmas diferentes dos meus. Por isso sempre tento ir com calam no que diz respeito à minha mãe, embora algumas opiniões dela sejam bem feministas radicais hahaha.
      Fico muito feliz que tenha gostado da resenha, moça. Aaah, e me confirmaram que é meu nome mesmo *-*

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  18. Adoreiiii a resenha já estou aqui me roendo de vontade de ler!

    Beijinhos :)
    Bru Santos ❤
    Veja lá no blog: Desafio de Organização

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  19. {Lu, temos um problema, queria comentar porém meu comentário ultrapassou os caracteres HIOEHIOEOH
    Desculpa, mas já aviso: lá vem textão em dois comentários}

    Oi Lu, eu não li o livro, mas guria, essa foi uma senhora resenha! Acho que todas nós tivemos uma criação machista, mesmo que de forma inconsciente, pela família, por ser algo tão enraizado na sociedade que as pessoas nem percebem. Que guria nunca escutou que mulher tem que se dar ao respeito? Que não pode agir assim ou se vestir de tal forma, porque homem não gosta, porque vai espantar namorado/marido (como se esse fosse o único objetivo que as mulheres pudessem ter). E, apesar de ter tido uma criação mais liberal digamos assim pela minha mãe, que sempre me incentivou a focar nos estudos e depois no trabalho, para que eu nunca precisasse depender de homem nenhum ou passar pelas mesmas coisas que ela passou. Na minha adolescência -quando passei por uma fase rebelde- escutava de outras pessoas da minha família "mulher tem que se dar o repeito" ou "não pode agir desse jeito porque homem não gosta". Quando fui na formatura da minha mãe (ela se formou depois dos 30 na faculdade porque precisou largar os estudos quando engravidou de mim) eu usei rasteirinha e uma maquiagem bem clean, nem usei um mega vestido elaborado. E tive que escutar minhas tias e avó dizendo que mulher só fica bem em festa de salto, porque fica poderosa, elegante e feminina, que eu tinha que colocar mais maquiagem, que a minha roupa não tava legal, etc etc etc. Não que eu veja problema em me maquiar bastante, ou usar salto, ou usar uma roupa mais "poderosa" quando eu quero, quem me conhece sabe que gosto disso também, mas naquele dia e naquele momento não estava a fim. E aí veio a minha mãe (super adepta de sapatilhas, rasteirinhas e roupas confortáveis) e disse: minha filha não precisa dessas coisas pra ficar bonita. É uma série de fatores, que passam despercebidos, e que percebo que nem sempre as mulheres mais velhas da minha família falam por mal, mas porque foram condicionadas a pensar daquele jeito. Só que incomoda, é cansativo, é exaustivo. Com 12-13 anos não tinha costume de depilar as pernas e tive que escutar que assim nunca ia arranjar namorado. Tenho bastante pelos nos braços e nunca esqueço quando no ensino médio indo pra aula, um grupo de guris olhou e me chamou de macaca. Lembro que depois daquele dia descoloria sempre os pelos porque acreditava que tinha algo errado naquilo. Aos 16 anos cortei meu cabelo na altura do queixo, a primeira pergunta foi "o que teu namorado achou disso?" ou "o que ele falou quando tu disse que ia cortar?" ao que me virei e respondi "quem tem que gostar é eu não ele". Parei de descolorir o pelo nos braços (afinal, ninguém merece ter que descolorir quase toda semana), mas depilo as pernas no verão porque sinceramente gosto (mas não tem problema quem não quer depilar). Só deixo os pelos crescerem no outono e inverno porque ninguém merece se depilar no frio, dói mais rsrs E ao contrário do que minhas tias falavam, meu namorado não tem nenhuma objeção aos meus pelos ou ao comprimento do meu cabelo que varia de tempos em tempos. Quando fiz intercâmbio todo mundo me perguntou o que meu namorado achava de eu ficar 6 meses longe, o que ele achava de eu ir em festas lá e que se estivessem no meu lugar não iriam, ou porque não confiavam no namorado pra ficar sozinho, ou porque acham que o namoro não duraria. E eu penso, sério mesmo isso? Que abrem mão de uma oportunidade incrível por causa de homem? Que deixam de viver a vida por causa de homem? A minha vontade era dizer "se teu parceiro não apoia teus sonhos e a tua liberdade, então troca de homem ou fica sozinha que é melhor", mas me calei. Pensa no choque da minha sogra quando me falou por telefone, ainda quando eu tava no intercâmbio, que era pra eu voltar logo porque meu namorado só ia em festas, ao que eu respondi "eu também vou aqui, toda semana inclusive". Escutei as mesmas coisas quando fui morar um tempo em Novo Hamburgo.

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    1. (Oi, Kimby! Acho que vou tentar responder em dois comentários também haha)

      Também acho que todos nós (meninos também, pois eles são criados para ter uma masculinidade tóxica e frágil) somos criados ouvindo comentários machistas. Podem até parecer coisas insignificantes como os comentários de, se a menina sabe cozinhar, já "pode casar". Mas a verdade é que é por muitas dessas pequenas coisas que o machismo ainda está aí, influenciando vidas de formas tão negativas.
      O incrível de reconhecer que você é obrigada a nada é ter justamente a liberdade de escolher. Se quer ou não se maquiar. Se quer ou casar. Se quer ou não se depilar. Entre um monte de outros exemplos. Nenhuma das duas escolas é errada! Acho tão triste ouvir coisas como "mulher tem que ser feminina". O que é feminino e o que é masculino se não padrões impostos pela sociedade durante séculos?
      É incrível (de uma forma bem negativa) como condicionam tudo que a mulher faz a um homem!

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  20. Tive que aguentar minha sogra indo falar pra minha mãe que eu tenho muitos planos que não envolvem o filho dela, que saio muito e ele também sai muito, que não pensamos em casar (!) e que eu disse pra ela que meu sonho era morar em São Paulo e se um dia eu fosse como ia ficar o filho dela? Que ela só via eu crescendo com a faculdade e com o intercâmbio e que esse namoro não ia dar certo. Acredita que uma vez ela disse que eu tinha que proibir ele de sair com os amigos e ainda escolher as roupas dele? . As pessoas pensam que a vida toda da mulher tem que girar em torno do homem, do namorado, do marido; É cansativo, é exaustivo, para ambos os lados. Mas ao contestar isso, as erradas somos nós, que “não compartilhamos dos valores certos, que não temos moral, e não valorizamos a família”. Quando eu tinha um emprego fixo em uma loja, geralmente dividia a conta com meu namorado, quando ele estava sem dinheiro eu não me importava de pagar a conta dele, da mesma forma que ele nunca se importou de pagar pra mim, mas era sempre uma dificuldade pra convencer ele de que não tinha problema eu pagar, porque ele não gostava que eu gastasse meu dinheiro e ele se sentia mal por não poder me dar coisas as vezes ou não poder pagar uma janta pra mim.
    Eu sempre tive a minha mãe como exemplo de uma mulher forte (às vezes com um gênio difícil até de mais),mas como alguém que apesar de todos os empecilhos e perrengues que ela passou, hoje é dona do próprio negócio e me criou para priorizar a mim e aos meus estudos, ao meu crescimento pessoal, antes de pensar no que um homem ou uma sociedade espera de mim. O que parece ofender algumas pessoas onde moro (magina uma guria nova e que estuda moda querer ter opinião sobre algo? rsrs). Cansa muito fazer os outros entenderem que não sou obrigada a ter uma vida que gire em torno do meu namoro. Eu costumava acordar as 5h da manhã para pegar ônibus, trabalhar em uma cidade, morar em outra, estudar em outra ainda e chegar em casa só depois da meia noite e ainda ter que escutar comentários idiotas achando que tenho que me consultar com homem a cada decisão que tomo, ou ter homens mais velhos achando que não tenho capacidade pra pensar por conta própria, querendo enfiar seus ideais guela abaixo, seja no trabalho, na rua, na família, em redes sociais. Eu que sou filha de pais separados e uma mãe que por muito tempo foi mãe solteira, ter que escutar que família se compõe só por homem e mulher, que mulher tem que ser delicada o tempo todo e subserviente, e o homem o provedor da casa. Que já sofri assédio na rua, em festa, no trabalho, na escola, que viro a noite para estudar se preciso, e ter gente querendo diminuir o que eu sei ou me tratando com descaso e condescendência quando me imponho, como se eu não soubesse nada. Façam-me o favor. Feminismo é importante não apenas para mim, mas para todas nós, todas as mulheres, de todas as classes e todas as camadas, que passam por coisas que nem posso imaginar.

    Acho que era isso, desculpa os mega comentários. Amei amei teu post, tu é incrível!

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    1. Nossa, que triste a sua sogra pensar assim! Não pensa em casas? Bom, talvez colocar Deus e o Estado na sua vida não seja melhor opção mesmo hehe. Você crescendo com a faculdade? Que lindo, né? Significa que você vai ser independente. É nisso que as pessoas deveriam pensar quando se trata de uma mulher, não em casamento ou controle da vida dela.
      Minha mãe sempre me incentivo a estudar e a não deixar nenhum homem comandar a minha vida. Mas, infelizmente, sei que ainda tem muitos conceitos ultrapassados enraizados nela e que são difíceis de serem tirados. Um dia eu consigo!
      Em fim, o feminismo é necessário sim. Podem me chamar de chata, mas acho que com certas pessoas é sendo chata que a gente consegue mudar ideias. Graças ao feminismo eu percebi sou a pessoas mais importante da minha vida e que, quando e SE um dia eu namorar, vai ser alguém que entenda toda essa luta, a apoie, e que seja pra mim um companheiro, não alguém acima de mim. Esse negócio de que mulher tem que ser submissa ao home, olha... zzzzzz -.-

      Eu adorei seu comentário, moça. Sério, o mundo precisa de maus mulheres que pensam como você e que se reconhecem como batalhadoras e incríveis <3

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  21. Oi Luh, tudo bem? Essas situações realmente nos marcam muito ainda mais quando somos crianças e estamos em fase de formar opinião. Mesmo sendo "mocinha" hoje (mas nem tanto haha) quando era criança/adolescente gostava MUITO de brincar na rua com outras crianças. Era descalça, descabelada, sobia em árvores, jogava bola... imagine a cena haha Tinha uma vizinha que sempre dizia para a minha mãe que eu era um menino haha sempre que lembro tenho vontade de rir. Depois me "apaixonei" pelo filho dela aí que ela dizia "meu filho namorar um molequinho que vive pela rua assim... não vai não". Hoje não sei o era mais absurdo... o que ela pensava, o que me incomodava ou ter me apaixonado por ele. Sempre esperam que meninas sejam comportadas e estejam arrumadinhas dentro de casa. Jura? Ainda hoje AMO subir em árvores haha Beijos, Érika =^.^=

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    1. Oi você! Infelizmente desde novos somos bombardeados com esteriótipos de que tal coisa é "de menino" e tal coisa é "de menina". Isso é tão errado porque não deveria ser gostos pessoais ou roupas que determinam o que é ser homem ou mulher!
      Continue subindo em árvores, chuchu <3

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  22. Eu já comecei amando esse livro pela capa, sou muito visual e se a capa é bonita já é meio caminho andado comigo hehehe. E to me sentido mal de nunca ter ouvido falar desse livro! É um must read pra todo mundo e adorei a pegada científica. Pq é assimq que a gente vai descontruindo, com fatos! :D

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