Um pouco sobre autoestima


Pensei bastante antes de voltar a falar de autoestima aqui no blog. Nos últimos tempos venho lendo e assistindo muita coisa sobre aceitação, movimento body positive, e também sobre os privilégios que eu tenho. Eu sou uma mulher "branca" (entre aspas porque minha pele não é exatamente branca, mas não sofro racismo por isso), magra, alta, enfim, com um corpo padrão. Tenho plena consciência de que essas minhas características me tornam uma pessoa privilegiada, além de outras que não vem ao caso nesse post.

Sendo assim, eu venho falar sobre autoestima de uma forma um tanto "geral". Não vou falar sobre pessoas negras, nem pessoas gordas, nem sobre aceitação dentro desses grupos especificamente, pois não é meu lugar de fala. Vou comentar sobre como eu consegui me aceitar do jeito que eu sou, e não só pelo meu cabelo ou qualquer aspecto externo, mas sim internamente.


Já comentei aqui no blog que sofri muito bullying por muito tempo. Sempre gostei de estudar, de ler (não me lembro de como eu era antes de começar a ler), e também sempre fui uma figura um tanto excêntrica. Isso se refletia em mim na escola, e foi na escola que eu vivi e ouvi coisas horríveis. Depois que você escuta um "você é feia" pela primeira vez, todos os elogios parecem falsos.

Me lembro de chegar em casa com 10 ou 11 anos e chorar, me olhar no espelho e me achar feia,  estanha, errada, mentalmente deficiente. Eu, uma criança, já cheguei a forçar o vômito porque eu queria ter o corpo igual das outras garotas. Detalhe: eu nunca fui gorda. Mas os outras garotas sempre eram mais bonitas, mais magras, tinham mais peito, tinham o cabelo liso, eram mais interessantes e superiores a mim em todos os aspectos.

Durante muito, muito, muito, muito tempo eu me olhava no espelho e odiava a minha imagem. Isso se intensificou ainda mais quando eu estava no ápice da minha depressão. Estava tão mal por dentro, que me forçava a lembrar das coisas ruins que já haviam me dito e feito só para me punir, me machucar, saber até onde eu iria aguentar.


Depois que eu comecei a fazer terapia e contei tudo para a minha psicóloga, ela me propôs um exercício: eu deveria começar a olhar para mim mesma de dentro pra fora. Eu era a pessoa que eu gostaria de ser quanto a gostos e atitudes? Naquela época, não. Mesmo eu não parando de agir da forma como eu gostava, sempre me importei demais com que os outros falavam. Eu ficava triste de verdade. Bom, segundo ela, seria só depois de eu começar a me aceitar como eu era por dentro que eu me enxergaria da mesma maneira por fora.

Algumas pouquíssimas pessoas me falavam que eu era um tanto excepcional. Eu não acreditava na época. Hoje eu acredito, e eu mesma consigo reconhecer isso. Mesmo que às vezes eu pareça meio "tontinha" por conta de opiniões um tanto inocentes para a nossa realidade, gostaria que as pessoas fossem mais parecidas comigo. 

Depois que tudo que estava dentro de mim passou a ficar mais claro, e eu passei a não me envergonhar das coisas que faziam de mim quem eu era. Passei a externar isso, a me enxergar da melhor forma possível externamente também. 


Ter autoestima e se aceitar está relacionado a e se conhecer, a entender aceitar que o mais importante é o que está dentro, não fora. É um processo lento e demorado; não é simplesmente chegar em alguém e dizer "se aceita". As mulheres, em especial, são moldadas para acharem que precisam ter uma aparência de "princesa", não para elas, mas para o mundo, para os homens. Isso é tão errado, pois nos leva a tentar alcançar padrões de beleza que não existem.

Nossa aparência, antes de mais nada, tem que refletir o que somo e o que sentimos. Eu sempre fui uma garota muito sapeca, diferente e alegre. Gosto de trazer isso para minhas roupas ou para o meu cabelo, mas sei que, independente de como eu estou vestida, se estou arrumada ou não, o que vai contar no final é o meu modo de agir, de pensar, de ver a vida! Isso faz todo sentido pra mim. Faz pra vocês também?


Não sei se o post ficou confuso. Na verdade, eu só sentei e comecei a discorrer. Talvez tenha ficado meio aleatório, mas eu queria ter esse registro aqui. Ah, por favor, parem de comentar o corpo alheio, parem de apontar "defeitos" nos outros. Ninguém precisa disso. Somo pessoas incríveis e lindas apenas por existirmos!

Isso é tudo, pessoal! Rainha Vermelha, 

SOMOS TODOS LOUCOS AQUI 

20 comentários :

  1. Cara, eu amei muito esse teu post! Simplesmente maravilhosa!
    Preciso confessar que entendo muito sobre não acreditar em elogios, eu sofri muito com isso por muito tempo e ainda não acredito em elogios, mas são coisas que eu tenho trabalhado comigo mesmo. Vc é mara!

    Carol Justo | Pink is not Rose

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    1. Muito obrigada, lindinha!
      Falando da minha visão, a gente só começa a aceitar elogios quando passamos a entender que realmente somo aquilo (incríveis, lindas, maravilhosas... hehe).
      beijos.

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  2. É tão triste saber que tive que me odiar tanto para poder me aceitar. Assim como você, também nunca estive totalmente fora do padrão em questão de corpo, sempre fui alta e magra, porém o processo mais difícil foi aceitar meu cabelo. Eu sonhava com o dia em que ficaria bonita (entenda isso como o dia em que teria o cabelo liso para sempre). Já fiz dietas malucas, passei fome e forcei vômito para emagrecer (e como você também, nunca fui gorda!!). Tinha pastas no celular com fotos de meninas com anorexia como meta de alcançar aquele corpo (????). Tantas coisas, que hoje eu olho para trás e fico com vontade de voltar para a Renata daquela época, dar um abraço e dizer que vai ficar tudo bem.

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    1. Nossa, que frase impactante e verdadeira essa sua. Eu também passei pelo árduo processo de detestar cada coisinha em mim para só aí começar a me ver de outra forma. De toda forma, é maravilhosos saber que você conseguiu passar por tudo isso, e que hoje se sente bem (ou está no caminho para se sentir bem) <3

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  3. Eu e um amigo estávamos assistindo uma palestra na nossa escola e, no meio de uma explicação, ele me disse que eu sou meio frustrada com autoestima e tudo mais, e eu fiquei meio assustada na hora, porque é a primeira vez que alguém parece perceber esses sentimentos que vivem em mim.
    Eu tenho esperança de que isso vai acabar logo.
    Mas ainda é complicado. Às vezes fico cabisbaixa ao sair na rua e encontrar tantas meninas e me sentir tão deslocada. Eu não quero ser igual à todo mundo, pois somos todos diferentes e cada um é cada um, mas quero tanto me sentir bem comigo mesma.
    E eu tenho esperanças.

    Eu gostei tanto desse post. Fico muito, muito feliz em saber como você se sente agora! E inspira também.
    Abraços <3

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    1. É muito doido quando a gente nem percebe que há coisas em nós que, talvez, estejam errada. Por exemplo, algumas pessoas mais próximas chegavam em mim no ano passado e diziam que eu estava depressiva, mas eu mesma me enganava e negava.
      Se aceitar é demorado e complicado, talvez até o caso de você levar para a terapia e mudar a forma como você se enxerga. Ficar se comparando com os outros, mesmo que às vezes pareça inevitável, é uma das coisas menos saudáveis do mundo!
      Obrigada por tudo, e boa sorte por esse caminho, amora <3

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  4. Me indentifiquei tanto com o seu texto. Eu sei que não estou totalmente fora do padrão, mas desde pequena sempre sofri bullying por conta dos meus dentes, por ter sido uma criança muito barriguda (embora fosse magra), tive uma alergia severa na pele que parecia espinha, mas não era. Tudo isso afetou bastante minha autoestima e a minha maneira de me defender era me colocar para baixo, na minha cabeça era mais fácil que eu fizesse isso antes que outros tivessem o poder de fazer (sim, minha lógica era louca). Passei anos sem aparecer em fotos, sempre amei a fotografia, mas a minha autoestima não me permitia aparecer nelas. Depois de anos, estou conseguindo gostar de mim mesma da maneira que sou. Hoje não tenho mais tanto problemas assim com fotos (fazer autorretratos me ajudou bastante e não me comparar com outras pessoas).
    P.s Me desculpa pelo comentário gigante, eu me empolguei ;)

    Mad Souls

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    1. Me autodepreciar é algo que, felizmente, eu venho parando de fazer. Parece que quando a gente repete algo tantas vezes aquilo se torna real, e, nossa, como é triste se sentir inferior aos outros!
      Assim como você, autorretrato me ajudou bastante. Na verdade, eu gosto de tirar onde eu apareça hehe :)

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  5. Ai, Lu! O melhor desse post é ver você falar de todos esses problemas de auto imagem no passado. Bom, é claro que isso não te torna isenta de não enxergar problemas em si mesma ou de não se sentir bem com sua aparência em algum momento, mas o fato de ter falado que você não CONSEGUIA aceitar um elogio significa que seu processo de se amar está em andamento - e é uma caminhada eterna! Nunca vai chegar o momento em que o espelho vai dizer "Você é perfeita!", mas enquanto ele sorrir pra você e você sorrir de volta, sei lá, acho que já valeu a pena.
    E, bem, é claro que o que somos por dentro é o mais importante... Mas ainda assim, preciso dizer: você é lindo por fora TAMBÉM! E sabe posar tão bem pra fotos, menina, me ensina, hahahaha!

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    1. Luly, minha linda, tudo que você disse é muito real. Claro que tenho dias ruins, onde não me sinto ~a pessoa mais incrível do mundo~, mas já faz alguns meses que eu decidi não deixar esses dias definirem a minha vida inteira!
      Aaaah, e essas poses definiam meu estado de espírito no dia: eu tava muito serelepe hihi :)

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  6. Aaaah, amei esse post!
    Fico muito feliz em ver que você se aceitou do jeito que é, isso é lindo e necessário! O amor mais bonito que existe é o próprio.

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    1. Vitória, sua linda, muito obrigada! <3

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  7. Crianças podem ser tão cruéis com outras crianças, tb já sofri muito bullying na infância e sei bem como é. São marcas que ficam e são difíceis de lidar. Com o passar do tempo tudo foi se amenizando e outros pontos se tornaram mais importantes pra mim, a autoestima floresceu. Que bom que o mesmo aconteceu com vc.

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    1. Nossa, crianças são com certeza muito cruéis! Fico feliz que tenha conseguido passar por isso :)

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  8. muito legal seu post autoestima pra mim significa se amar de dentro para fora amar seus altos e baixos

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  9. E eu entendo essa dor que vc sentiu quando chamaram vc de feia, pode crer! E como isso faz merda dentro da gente...
    Eu sou outra mais da lista das tratadas de gorda, e depois de ser magra fui tratada de feia. E sabe, se eu penso profundamente sobre isso, eu agradeço por ter passado por tudo isso... por que essas dores me levaram a ser quem eu sou hoje.
    Capaz se eu tivesse nascido magra, bonita e perfeita eu não teria entendido que beleza externa nao te define, e personalidade "peculiar" nao te faz menos que ninguém. Se eu tivesse nascido com a beleza ideal e personalidade ideal talvez eu fosse feliz com aquilo, tivesse aproveitado os benefícios daquilo, e nao descobrisse nunca que aquilo nao tinha o valor que sociedade dá...
    E sobre ser esquisita, ainda bem! Se vc fosse muito normal vc nao seria vc, vc nao teria cultivado a sua personalidade e nao seria quem vc é hoje.

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    1. De certa forma, muito das coisas que sou hoje vieram de momentos ruins que já passei. As pessoas precisam parar de achar que existe um corpo "perfeito", parar de apontar o que é bonito ou feio, parar de comentar o corpo alheio! Viva as diferença, viva a peculiaridade!

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  10. Uau, Lu, que texto incrível. Parabéns!
    Durante muitos anos (e ainda hoje), eu não me aceitei. É realmente um processo demorado, e tem dias que a gente não tá legal e aí é só ouvir um comentário maldoso que tudo o que já conquistamos nesse sentido vai por água abaixo. Daí, quando isso acontece, tento me cercar das pessoas que realmente importam e das coisas que eu gosto (livros principalmente <3); e olha: ajuda pra caramba!
    Enfim, parabéns e obrigada pelo post.
    Abraços
    Isabelle - https://livrosgatoscafe.wordpress.com/

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    1. Livros são realmente uma das coisas que mais me ajuda também. Fazem com que eu me desligue de aparências e possa apreciar outras coisas em mim... não sei se faz sentido, mas pra mim faz haha.
      Muito obrigada pelo carinho, e, lembre-se, você é incrível apenas por existir :)

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