A Menina do Outro Lado (Nagabe)


Eu nunca havia lido um mangá. Na verdade, o máximo de contato que tive com a cultura oriental foi pelo anime Death Note, mas isso já faz muito tempo. Quando A Menina do Outro Lado chegou aqui em casa fiquei imensamente feliz, pois uma das minhas minhas metas para esse ano é ler gêneros diferentes dos quais estou acostumada, inclusive até escrevi isso nas minhas metas literárias do ano no meu planner. 

A Menina do Outro Lado se passa em um lugar, um país dividido entre pessoas normais e seres amaldiçoados. Shiva é uma garotinha que está sendo cuidada por uma criatura chamada Sensei. Juntos eles tentam manter uma rotina mais ou menos normal, embora Sensei sempre alerte Shiva sobre os perigos de sair sozinha. Mas as coisas começam a se complicar depois que a garotinha decidi procurar sua tia desaparecida.
Havia dois deuses, o da luz e o das trevas. O deus da luz espalhava felicidade para todos. Porém, o deus das trevas tomava-a para si e fazia maldades.

Quando eu era pequena gostava de imaginar que cada pessoa tinha um alguém cuidando dela. Acho que isso era uma forma de eu me sentir mais confiante quanto às minhas estripulias. Hoje em dia não sei exatamente no que acredito, mas, lendo esse mangá, fui levada de volta para essas lembranças de infância. Sensei é um protetor para Shiva, e é perceptível o carinho que um tem pelo outro, mesmo que o Sensei não possa ter tocado por ser uma criatura amaldiçoada. 

Ao longo da leitura vamos descobrindo aos poucos o que aconteceu para que Shiva fosse ficar aos cuidados de Sensei. Ela é uma criança muito doce e quase alheia a todos os perigos que vagueiam por aquele mundo. Já Sensei é muito reservado, e até um pouco retraído. A relação dos dois é como a de um pai e uma filha, e o fato de um não pode encostar no outro não faz com que essa relação seja fria; na verdade, é lindo ver a forma com que se relacionam ♡


A Menina do Outro Lado é um mangá encantadoramente sombrio. Embora carregado de melancolia por conta da realidade dos personagens, é uma história que nos dá um quentinho no coração justamente por esses mesmos personagens fazerem de tudo um pelo outro. Os mistérios sobre o passado de cada um nos deixam extremamente curiosos para chegar até o final da leitura, tanto que eu consegui ler tudo em uma sentada hehe. Foi uma das melhores leituras que fiz esse ano!

O final... melhor não comentar tanto, mas ele me deixou completamente doida para o segundo volume. E, aparentemente, o universo está querendo me deixar feliz, pois enquanto escrevo essea resenha recebi a notícia de que o segundo volume será lançado já no mês que vem!


Uma notícia maravilhosa para quem gostou dessa história é que ela vai ganhar um curta animado. Ele está sendo feito pelo estúdio japonês Wit Studio e deve ser lançado em setembro desse ano. Já têm algumas imagens disponíveis, e vocês podem ler mais sobre no DarkBlog. Eu fiquei tão feliz com essa notícia! 


A edição está muito lindinha: nunca havia visto um mangá de capa dura; a capa me passa um sentimento de tristeza e esperança ao mesmo tempo; a folha de guarda é roxa; o traço das ilustrações é fino e delicado, e todas são em preto e branco. Ah, e a capa do segundo volume também é uma graça! No vídeo de unboxing que fiz, além do livro, vieram dois posteres, um com a capa do primeiro e outro com a capa do segundo.


Quero agradecer a DarkSide Books por ter me enviado esse mangá. Comecei a adentrar esse universo maravilhosamente bem. Vocês podem comprá-lo aqui e, comprando pelo site da DCaveira, vem junto os dois posteres do meu vídeo. Um deles já está na minha parede, e ficou tão bonito *-*

Quem aí ficou curioso para ler? Eu amei tanto que senti vontade de entrar na história para abraçar a Shiva e o Sensei (mesmo eu não podendo fazer isso). Inclusive, acho que vou ler de novo agora!

Motivos para (não) ler Agência de Investigações Holítica Dirk Gently, do Douglas Adams


Já faz tempo que eu queria ler Douglas Adams. Quer dizer, o "dia do nerd" foi criado graças a série O Guia do Mochileiro de Galáxias, então eu, como uma pseudonerd tinha que ler alguma coisa dele. E como eu gosto muito da série Dirk Gently's Holistic Detective Agency (falo dela já já!), me animei a ler os livros desse detetive deveras peculiar - para dizer o mínimo!

A "série" do Dirk Gently é formado por dois livros, isso porquê Adams morreu antes que pudesse escrever mais livros. Nesse post vou listar alguns motivos pata ler (ou não) o primeiro volume: Agência de Investigações Holística Dirk Gently!

Você não vai entender nada

O termo 'holístico' se refere à minha convicção de que devemos nos concentrar na interconexão fundamental de todas as coisas. Não estou interessado em trivialidades, como impressões digitais, fiapos de tecido reveladores ou pegadas inúteis e, sim, no fato de que a solução para qualquer problema pode ser encontrada na maneira como se configura e se entrelaça o todo. As conexões entre causa e efeito são geralmente mais sutis e complexas do que poderíamos supor com nossa compreensão rudimentar do mundo físico.
Se tem uma coisa que dá pra ter certeza lendo esse livro é que ele não tem pretensão de te explicar coisa nenhuma. É como se Douglas Adams tivesse escrito e estivesse nem aí para o que os outros iam pensar. Qual a relação entre um monge eletrônico que acredita que o mundo é rosa, o fantasma de um milionário, um cientista da computação, uma égua presa num banheiro, o Gato de Schrödinger, a fita de uma secretária eletrônica e viagem no tempo? Bom, nada, não é? Não, não quando o Dirk Gently está envolvido!

A premissa aparenta ser bem básica: Richard é um engenheiro da computação que leva uma vida excepcionalmente comum, embora esteja enfrentando problemas com a namorada, Susan. Um dia ele deixa uma menagem na secretaria eletrônica de Susan, e decide escalar o prédio para tentar recuperar a fita. Mas, até isso acontecer, nós somos apresentados a um monte de coisa aparentemente aleatórias e sem sentido nenhum!

Sinceramente, até a página 130 mais ou menos a gente não entende absolutamente nada. Quando o Dirk finalmente surge na história tentando encontrar a ligação entre tudo, é aí que a gente não entende nada mesmo! A única saída é abandonar o livro ou aceitar que ele existe e que ele é o que é. E ele é ótimo, mesmo sendo confuso!

Na psicologia existe uma linha teórica chamada Gestalt. Não estou muito familiarizada com ela ainda, mas, basicamente, a Gestalt enxerga o ser humano em sua totalidade. Esse livro combina perfeitamente com essa teoria. Sofri um pouco para conseguir compreender o que exatamente é holístico, mas, depois que o aceitei e entendi, é que consegui entender o quão incrível essa filosofia pode ser. 

Dirk Gebtly é arrogante... e brilhante!


Sabe aquele tipo de pessoa que é insuportável e incrível ao mesmo tempo? Que é doida, e que não é muito inteligente, mas é esperta, e que você gosta de ter por perto, mesmo podendo ser considerada a criatura mais chata que você já teve o desprazer de conhecer? Bom, esse é o Dirk Gently: um retrato caótico de todas as coisas confusas que existem numa só pessoa.

Ser extremamente arrogante e se achar o dono da verdade pode ser uma desvantagem em protagonistas de livros, mas o Dirk acaba se provando bem carismático justamente por causa disso. Não fica muito claro o que ele exatamente é. Talvez ele seja vidente (ele nega!), mas, pra mim, Dirk Gently tem uma conexão com o universo, o que lhe permite enxergar coisas que as outras pessoas não veem. E também vivenciar as situações mais inusitadas e engraçadas, mas isso vem de brinde graças aos seus serviços de detetive.
As histórias tinham a ver com poderes supostamente herdados do lado materno da família, que, de acordo com ele, vivia na região mais vistosa da Transilvânia. Ou melhor, Dirk nunca afirmara tal coisa, e dizia ser o mais completo absurdo. Negava com veemência haver qualquer tipo de morcego em sua família e ameaçava processar qualquer um que disseminasse calúnias tão maliciosas desse tipo.

HUMOR LOUCO E NONSENSE

Pessoas diferentes têm uma ideia diferente do que 'estranho' significa.
Assim como você aceita que o livro não tem sentido e que o Dirk foge de todos os padrões de normalidade, você também aceita e se diverte com todas as situações absurdas pelos quais todos os personagens do livro passam. Tem uma égua no banheiro de um cronologista de mais de 200 anos que gosta de fazer truques de mágica baratos. A secretária de Dirk está se demitindo, mas ele continua agindo como se tivesse uma secretária, além de fazer as vezes de uma cartomante. 

Esse livro me fez pensar em mim mesma e no quanto frequentemente eu me pego tendo diálogos bizarros, ou indo parar em lugares totalmente aleatórios. E quem diz isso não sou, mas as pessoas que convivem comigo hehe. É por isso que Dirk Gently foi um dos personagens que mais me identifiquei até hoje. Com um narrativa simples e leve, Douglas Adams criou uma história bem real e extraordinária ao mesmo.


extra: a série da netflix também não faz sentido nenhum


Eu sei que existe um filme baseado no livro. Ainda não assisti, mas creio que seja bem parecido, embora um tantinho esquecido hehe. Agora, sobre a série da Netflix, que foi quem me apresentou a esse personagem, é a melhor série flopada que existe. Infelizmente quase ninguém conhece, o que acabou causando o cancelamento na segunda temporada. Acaba que eu tenho que ficar sonhando e stalkenado o produtor no twitter para ver se novas notícias sobre ela são divulgadas </3

A série em si só tem em comum com o livro o personagem principal, que é o Dirk. A história e os demais personagem são totalmente diferentes. Tudo começa com Todd Brotzman, um cara frustrado que acaba se envolvendo numa investigação sobrenatural envolvendo assassinato, animais desaparecidos, sequestros e o excêntrico e irritante detetive Dirk Gently. Basicamente você vai ver todos os episódios e não entender nada, igual ao livro. E isso é tão legal, porque a série conseguiu capturar toda a loucura e "holisticidade" do livro. (crítica da primeira temporada)

Espero que tenham gostado do post. Esse é um formato tão legal de se fazer, e agora mesmo estou me perguntando porque não falo mais de livros assim. Alguém ficou curioso para ler ou assistir? Não vejo a hora de fazer a leitura do segundo livro! ♡

a vida compartilhada em uma admirável órbita fechada (becky chambers)

Ela olhou para as estrelas e soube que todas as suas perguntas seriam respondidas, todas as coisas seriam concertadas. Todas aquelas coisas estranhas eram boas.
Lovelace nos é apresentada em a longa viagem a um pequeno planeta hostil. Ela era a Inteligência Artificial responsável pela Andarilha, mas, após problemas com sua instalação anterior, desperta sem memórias com uma oferta feita pela engenheira Sálvia: ser transferida para um kit corporal e ir viver junto dela. Agora, atendendo pelo nome de Sidra, ela precisa tentar se adaptar a essa nova vida. 

No segundo volume da série de Becky Chambers, acompanhamos todo o processo de adaptação de Sidra, e também os próprios conflitos do passado e presente da Sálvia. Ah, e é importante ressaltar que não é necessário ter lido o livro anterior para ler, entender e se encantar por a vida compartilhada em uma admirável órbita fechada, embora eu recomende muito a leitura de ambos!


Você nunca vai ler um livro de ficção científica como os que são escritos por Bechy Chambers. Filha de cientistas espaciais, ela cria uma realidade fantástica onde muitas partes do universo não são mais desconhecidas e diferentes raças convivem entre si. Não são livros focados em grandes conflitos ou guerras espaciais. São livros sobre pessoas que, assim como nós, estão tentando encontrar seu lugar no mundo. 

Sidra é uma IA que ao longo do livro todo tenta negar a humanidade que existe dentro dela. É complicado falar sobre isso, pois o nosso mundo ainda não evoluiu ao ponto de já estar discutindo a questão de dar ou não cidadania para robôs e afins (na verdade, a gente infelizmente ainda tem que falar de assuntos que já deveriam ter sido superados há tempos). Sidra se sente angustiada com o seu kit, pois não reconhece aquilo como sendo seu corpo, além de não ter uma autonomia própria. Ela é uma IA, e IA's foram criadas para servir às criatura vidas; ela não é uma criatura vida. Bom, pelo menos é assim que muitas das pessoas enxergam as IA's.

É angustiante ver o quanto ela sofre no início. Antes, quando ainda atendia por Lovelace, tinha acesso constante à Rede, além de olhos em todos os lugares. Agora, ela só poder olhar em uma direção por vez, além de ter uma capacidade de armazenamento limitada. Por causa disso, ela têm ataques de pânico e prefere ficar nos cantos dos cômodos, pois assim consegue ter uma visão mais ampla do lugar. É muito fácil fazer um paralelo entre ela e pessoas que sofrem com ansiedade ou fobia social, ou até mesmo com quem tem dificuldade em se aceitar do jeito que é. Sidra é muito mais humana do que pensa ser, e, com o avanços da leitura, vamos vendo, aos poucos, ela tentando encontrar meios de entender que agora aquela é sua vida e de que aquele é seu corpo, e que lutar contra isso só vai fazê-la mais infeliz.
Suas mente vem do seu corpo. Nasceu dele. No entanto, é completamente independente. Mesmo que os dois estejam ligados, há um certo desencontro. Seu corpo faz coisas sem perguntar à sua mente primeiro, e sua mente quer coisas que seu corpo nem sempre pode fazer.

Por outro lado, temos Sálvia. Ela têm seus próprios segredos. Sálvia foi criada em larga escala. Ela é um clone, e vivia num planeta onde outras garotas exatamente iguais a ela separavam sucata, sendo cuiadas por robôs chamadas de Mães. Cada capítulo do livro é intercalado entre o presente de Sidra e o passado de Sálvia. É por ele que vamos entender o porquê de ela ter ajudado e se tornado amiga de Sidra. Além, disso, há uma questão mal resolvida na sua vida regressa que não a deixam ser plenamente feliz.
Havia pessoas nas estrelas. Tantas delas! Todos aqueles pontinhos de luz tinham planetas - tão grandes que você nem percebia que estava morando em uma bola - e todos aqueles planetas tinham pessoas e espécies! Espécies de cores e tipos diferentes. Jane não conseguia nem imaginar tantas pessoas. Não fazia sentido. Nada disso fazia sentido.

Seria um eufemismo dizer que eu gostei desse livro. É aquele tipo de leitura que te fascina, e te faz querer entrar dentro pra viver naquela realidade, e ser amiga dos personagens! Em vários momentos eu me vi querendo ajudar, entender e abraçar a Sidra e a Sálvia, pois os problemas que elas enfrentam são tão reais; elas são muito reais! As duas, embora com dilemas diferentes, frequentemente se questionam se realmente fazem parte de algo maior.

Cada um de nós está tentando se encaixar no mundo à sua maneira, e, para algumas pessoas, é muito mais difícil do que para outras. Nós somos pessoas, nós pensamos e estamos constantemente mudando o mundo à nossa volta, pois nós temos esse poder. Cada um de nós é um pequeno universo.

Becky Chambers trata de individualidade, respeito às diferenças, família e amizade de uma forma especial e gostosa de se ler. Seus livros vão muito além meras ficções científicas! 


♥️


Sobre a edição, a capa segue um mesmo padrão da do livro anterior, embora seja diferente à sua maneira. Ela literalmente brilha, e nenhuma foto que eu tire vai ser capaz de fazer jus à sua beleza. Eu amei como as cores vermelha e azul se misturam! A folha de guarda também é linda, e no interior do livro encontramos páginas com pequenas estrelas. Uma detalhe é que eu amo os títulos desses livros. Eles podem soar aleatórios, mas são cheios de significado.


Espero que tenham gostado da resenha. Tenho certeza que esse será um livro engrandecedor para qualquer pessoa que o leia. Mais uma vez a DarkSide Books trás um título excepcional para seu catálogo. Vocês podem comprá-lo aqui :)

Com amor, L ♥️