Crônicas de Morrighan (Mary E. Pearson)


Antes que fronteiras tivessem sido traçadas, antes que tratados fossem assinados, antes que guerras fossem travadas novamente, antes que os grandes reinos dos Remanescentes tivessem até mesmo nascido, e o mundo era apenas uma vaga placa de memórias contadas em histórias e lendas, uma menina e sua família lutavam para sobreviver. E o nome daquela menina era Morrighan.


A sinopse descreve esse livro para aqueles que não leram a trilogia das Crônicas de Amor e Ódio como "um primeiro beijo inesquecível". Eu não tive a oportunidade de entrar em contato com a escrita de Mary E. Pearson na época que os livros estavam sendo lançados, mas me sinto muito grata por esse tesouro ter chegado às minhas mãos.

Eu não sabia praticamente nada sobre a história, apenas que Crônicas de Morrighan se passava antes dos três livros (que, por sinal, espero poder ler logo logo), e o fato de eu ter mantido a ignorância quanto a esse universo só tornou a leitura mais encantadora. A narrativa é poética e apaixonante, com um romance que passa longe de ser simples, mas que nos faz ficar com um quentinho no coração.

Ele sussurrava fundo nas minhas entranhas: Eu sou seu, Morrighan, para sempre seu… e, quando a última estrela do universo piscar em silêncio, eu ainda serei seu.
Morrighan e Jafir são dois jovens de "povos" diferentes e conflituosos. Os dois vivem com seus familiares, criados para acreditar em certos paradigmas, e fazendo o possível para sobreviver. Entre encontros, desencontros e saltos temporais, os dois veem suas vidas unidas graças a livros... e um amor impossível nascendo. 

Bom, não vou falar muito mais porque, mesmo estando em formato de livro, é um conto de 126 páginas que a gente lê numa sentada. Os capítulos são curtos e intercalados com o ponto de vista dos personagens principais, o que só torna a leitura ainda mais rápida, fora a curiosidade para saber como tudo vai terminar. Achei incrível o fato de a autora ter conseguido me prender e me afeiçoar em tão poucas páginas!


Não vejo a hora de ter os outros livros da trilogia em mãos para poder adentrar de vez nessa fantasia romântica! ♡


A edição está encantadora, assim como todas que a DarkSide Books faz. É indiscutível o cuidado que eles sempre tem, mesmo sendo com um livrinho tão curto. As páginas tem uma diagramação e uma textura confortável, e com detalhes simples e bonitos ao mesmo tempo. O corte de página é dourado, e o marcador de fitinha está incluído!

Logo depois veio um nome, sussurrado, que sempre estava logo além do meu alcance, que não era meu ainda para ouvir, mas que eu sabia que um dia os filhos de meus filhos ou aqueles que viessem depois haveriam de ouvir. Um dia a esperança teria um nome. 


Por ora, só tenho esses dois hehe.


Espero que tenham gostado do post! Tenho a impressão de que a resenha foi um pouco curta, mas é que se eu falasse mais ia acabar soltando algum spoiler. Ah, falando em spoiler, por favor, não me deem spoiler da trilogia, ok?

Isso é tudo, pessoal! Rainha Vermelha, 

SOMOS TODOS LOUCOS AQUI

Mr. Postman ♡

música para ouvir lendo o post
Já que resolvi dividir os posts em que recebo cartas e livros (já viram o primeiro book haul aqui do blog?), pode ser que os posts de mr. postaman diminuam, afinal não é sempre que encontramos pessoas dispostas a trocar cartas/coisas pelo correio, mas vou fazer o possível para sempre mostrar os tesouros de papel que me são enviados!


♥️ Natália | Universo Literário: já fazia séculos que eu estava querendo os marcadores da trilogia da Srta. Peregrine, e, graças à Natália do ig @universooliterarioo, consegui. Na verdade, nós fizemos uma troca: eu mandei pra ela uns cards repetidos que tinha de Harry Potter, e ela me enviou esses das crianças peculiares, um de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, e outras coisinhas "extras" hehe.

Muito obrigada pela troca e confiança, chuchu! Você não tem ideia do quando fiquei feliz com essas novas belezinhas na minha coleção de marcadores. Uma das minhas metas é ter marcadores que combinem com todos os meus livros :)


Thayline | Simplesmnete Criativa: a Thay já é quase marca registrada dos posts de mr. postman; já recebi tantas cartinhas lindas dela! Dentro do envelope vieram dois chicletes (mocinha, me explica essa técnica que você usa para burlar o tio do correio, haha), papel decorado e outros materiais perfeitos para o meu bujo, dois pacotinhos de chá, e a cartinha que me fez sentir como se ela estivesse sentada ao meu lado contando tudo que esteve fazendo.

A Thay vai fazer uma viagem logo logo, e eu estou muito curiosa para ver as fotos que ela vai tirar (porque eu tenho certeza que ela vai tirar muita foto!). Ah, no blog dela tem um post falando sobre como programar uma viagem.


Se alguém aí quiser me enviar uma cartinha, é só me mandar um e-mail para contatomemorialices@gmail.com. Amo responder a essas demosntrações de carinho com muito mais amor em formato de papel, afinal carinho inspira carinho!

Isso é tudo, pessoal! Rainha Vermelha, 

SOMOS TODOS LOUCOS AQUI

O Diário de Myriam (Myriam Rawick e Philippe Lobjois)


A Guerra na Síria começou quando pessoas insatisfeitas com o governo de Bashar Al Assad passaram a protestar pacificamente e foram recebidos de forma hostil e violenta, desencadeando daí uma guerra civil. Antes, o que era apenas insatisfação contra um ditador, se tornou uma guerra pelo poder, entre os povos e religiosa. Mais de 400 mil pessoas já foram mortas, e esse número, infelizmente, continua subindo.

Alepo é uma das maiores cidades da Síria, e passou de um berço cultural para o que hoje é principal palco da guerra. Era nessa cidade que Myriam Rawick vivia feliz com sua família, e é de lá que veio o emocionante O Diário de Myriam. Ela tinha apenas seis anos quando passou a escrever num diário. Nós vemos as mudanças começando, pois: eram apenas protestos isolados e que não causavam mal algum. Mesmo que seus pais demonstrassem preocupação de vez em quando, ninguém achava que uma guerra poderia começar, muito menos uma criança inocente.
Meu nome é Myriam, tenho 13 anos. Cresci em Jabal Sayid, bairro de Alepo, onde também nasci. Um bairro que não existe mais.

Esse é, com certeza, um dos melhores livros de 2018. Um relato emocionante e simples sobre uma guerra que, embora noticiada pelos grande meios de comunicação, quase nunca recebe a digna repercussão. É angustiante ver o quanto a vida Myriam vai mudando gradativamente, as batalhas que ela e sua família travam todos os dias para sobreviver.

Desde que a guerra começou, quem mais sofre com ela são os civis, pessoas como eu e você, como Myriam, que estavam vivendo suas vidas tranquilamente. É horrível pensar que muitas histórias como as de Myriam não poderão ser ouvidas ou lidas, seja por falta de oportunidades para tanto, ou porque essas crianças estão mortas.

Mesmo ainda não tendo lido O Diário de Anne Frank, sei bem como é a história da garota judia que viveu durante a Segunda Guerra Mundial, e é impossível não comparar as duas obras. Histórias como essas me fazem lamentar ao ver que o se humano não aprendeu nada: o mundo já enfrentou duas grandes guerras mundiais, e, como eu disse, embora a guerra na Síria não tenha o devido reconhecimento, é um conflito que afeta o mundo inteiro, seja pela questão dos refugiados, ou pelos ataques terroristas que ocorrem com certa frequência.


O Diário de Myriam é um daqueles livros que me fazem ter cada vez mais certeza de que palavras podem mudar o mundo. No final, quando as coisas "se acalmam", Myriam faz reflexões sobre muçulmanos, e aprende que nem todos são terroristas. Infelizmente, isso é algo que ainda precisa ser reforçado, pois, como bem sabemos, muitos refugiados encontram hostilidade em outros países, sendo que essas pessoas são aqueles civis que preferem arriscar suas vidas fugindo a ficar no lugar onde estão.

Embora o livro não seja exatamente algo otimista como vemos em A Guerra que Salvou a Minha Vida e A Guerra que me Ensinou a Viver (histórias fictícias, mas que tratam da Segunda Guerra de uma forma incrível), é uma leitura transformadora, que nos faz refletir sobre as vidas que esse conflito terrível destrói, sobre o modo como enxergamos as pessoas que chegam da Síria pedindo ajuda. E, mais importante, até onde o ser humano está disposto a ir por poder e por não respeitar as diferenças. Quantas guerras serão necessárias e quantas vidas mais serão desperdiçadas? Na palavras da própria Myriam, só quem perdeu a paz sabe o valor dessa palavra.
A guerra era minha infância destruída sob essas ruínas e fechadas em uma caixinha.

Essas são histórias que todas as pessoas do mundo precisam ler! ♡


Eu achei lindo o fato de terem sido incluídas nos livros cartas de crianças que, antes de o livro ser lançado, estavam interessadas em ler a histórias de Myriam. Na época, as cartinhas foram enviadas ao Jornal Joca, e hoje essas crianças podem ter em mãos o diário.

Situações como essa me dão esperança. Sou daquelas que acredita que a leitura deve ser incentiva desde bem cedo (acho que isso se dá por eu ter começado a ler muito cedo hehe). Mais importante ainda é proporcionar para as crianças leituras que as fazem ter outras perceptivas, ver que existem realidades totalmente diferentes da nossa, e que é nossa responsabilidade como seres humanos nos compadecermos e ajudarmos.


O livro faz parte do selo Crânio, um selo da DarkSide Books que vai publicar apenas livros com histórias reais ou didáticas. A edição, diferente da maioria, é de brochura, mas isso não atrapalhou em nada, pois continua linda. A folha de guarda é cheia de flores, têm as cartas das crianças, como já disse ali em cima, e, nas últimas páginas, fotos emocionante da atual Alepo. (No final eu já estava querendo chorar, e essas fotos me fizeram desabar de vez!)

Algo muito legal que a editora fez foi criar um site exclusivo para o livro. Lá têm fotos, informações extras, o book preview, uma reportagem especial que o Fantástico fez, e uma notícia que mostra como podemos ajudar os refugiados sírios.



Tantas lembranças que me fazem recordar minha vida de antes. Lembranças que são como miragens. Tão distantes daquilo que vivo hoje. Daquilo que vejo. Daquilo que sinto.


Espero, do fundo do coração, que essa resenha tenha incentivado pelo menos uma pessoa a ler O Diário de Myriam. Espero também que, daqui uns anos, esse livro seja visto como a história de Anne Frank é vista hoje: um clássico que nos lembra dos erros que a humanidade não pode voltar a cometer!

Isso é tudo, pessoal! Rainha Vermelha, 

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