Imaginário Coletivo (Wesley Rodrigues)


Deixe-se levar pelas visões dessa experiência. Não tenha medo. Imaginário Coletivo é um fábula sobre liberdade e força de vontade. Em quase 500 páginas deslumbrantes de uma das maiores histórias em quadrinhos já criadas no país - todas poderiam muito bem ser emolduradas como obras de arte -, o leitor acompanha as aventuras de uma vaca que queria ser um pássaro. Ou seria um pássaro que nasceu vaca? Durante essa viagem fantástica imaginada por Wesley Rodrigues, é impossível não se perguntar: será que sou tudo aquilo que posso ser? compre aqui


Sensibilidade e liberdade. Ser sensível, pra mim, é ser vulnerável às situações que nos são apresentada na vida, sejam elas positivas ou negativas. Ser livre é entender que você não precisa ser apenas aquilo a qual o mundo te condicionou. Nunca pensei que esses dois conceitos caberiam tão bem em Imaginário Coletivo, a princípio uma graphic novel de fantasia, mas que se mostra uma linda jornada do protagonista para descobrir quem realmente é.

A história começa como a criação do universo. As almas estão sendo sendo mandadas para a vida, e uma dessas almas diz que quer ser um pássaro, mesmo tendo recebido a senha de vaca. Só os seres humanos tem livre-arbítrio, e a coitada da alma nasce como vaca. Essa vaquinha é encontrada por um senhor cheio de questões consigo mesmo. O nome dele é Agripino, trabalha no garimpo de um rei tirano que só liga para o ouro. 


Pra mim, tudo pode ser melhorado com a imaginação. Assim que li o título desse lançamento fiquei pensando em algo totalmente maluco, e que apenas as pessoas que se permitem fazer uso da sua imaginação conseguiriam ler e realmente entender o quão profunda é sua história. Existem tantas coisas no mundo além daquilo que conseguimos ver, e Imaginário Coletivo expressa justamente isso. Os personagens são simples, com pensamentos e vidas que poderiam pertencer a qualquer um de nós; o que torna o protagonista especial é justamente o desejo de sair da realidade (triste) onde se encontra. 

Tá, mas e a vaca? Bom, a vaca pode vir a se tornar uma metáfora bem densa para tudo que eu estou tentando explicar, mas não sei se estou conseguindo hehe. A vaca, além de toda a questão de querer ser um pássaro, é de extrema importância para que uma loucura generalizada exploda na vila, além de contribuir para que Agripino comece a questionar sua própria existência.
Não se esqueça que a realidade é um sonho que você compartilha com outras pessoas.

Imaginário Coletivo é divertido, filosófico e encantador! O que mais posso dizer? É um livro lindo, aparentemente simples, mas que precisa ser lido e sentido da forma mais aberta possível. Dê asas à sua imaginação; interprete-o como quiser; aproveite cada ilustração, diálogo ou frase, e tente entender o que elas realmente querem dizer. Não desista!

A edição carrega todo o espírito louco da história. Tem quase 500 páginas, mas, por ter muitas ilustrações (lindas, por sinal), é possível ler em uma sentada (inclusive, acho que essa era a intenção da DarkSide Books, pois ele não tem marcador de fitinha). A capa é dura, e, infelizmente, as fotos não conseguem expressar sua verdadeira beleza, pois várias figuras dela só são visíveis contra a luz. O mundo pra mim é muito fragmentado, então todas as aleatoriedades e objetos soltos fizeram com que eu ficasse com ainda mais vontade de conhecer melhor o trabalho de Wesley Rodrigues! ♡


Alguém aí ficou curioso? Bom lembrar que essa é a primeira publicação nacional pela selo graphic novel da editora. Ah, uma música que eu recomendo bastante ouvir enquanto lê (ou em qualquer outra ocasião) é Shake It Out, da Florence + The Machine!

Isso é tudo, pessoal! Rainha Vermelha, 

SOMOS TODOS LOUCOS AQUI

Continuaremos perdidos no Labirinto


A jovem Sarah não aguenta mais servir de babá para seu meio irmão, o pequeno Toby, e como brincadeira deseja que o bebê chorão desapareça. O que deveria ser apenas uma provocação acaba se tornando real como um pesadelo. O Rei dos Duendes atende prontamente ao seu pedido, e leva o menino para um universo paralelo configurado como um gigantesco labirinto.

Agora, Sarah precisa correr contra o tempo se quiser mesmo salvar seu irmão. Ela só tem até a meia-noite para impedir que Toby se transforme de vez em um duende. E, na verdade, Jareth tem outros planos para Sarah: ele está a procura de uma rainha para ficar ao seu lado e ser amada por todos na Cidade dos Duendes.


Já teve alguma história que, no momento em que vocês entraram em contato com ela, sentiram que ela seria uma das suas histórias favoritas para a vida toda? Bom, isso aconteceu comigo logo nas primeiras páginas de Labirinto. Foi só depois de ter lido essa preciosidade que descobri que, na verdade, ele foi inspirado num filme de 1986 e que foi muito criticado na época, mas que hoje é tido como um clássico. Independente disso, eu amei poder ter lido o livro antes de ver o filme.

O enredo em si pode parecer apenas mais um conto de fadas simples, e é exatamente isso que o torna tão especial (pelo menos pra mim). Eu amei cada aleatoriedade que havia no labirinto do Rei Dos Duendes, cada pequena coisinha que pode vir a se tornar uma lição ganhou um significado grandioso para mim. Labirinto fez com que eu me lembrasse porque eu amo tanto fantasias!


Sarah é uma garota extremamente dramática e que está naquela fase chata da vida de um adolescente (rebelde sem causa, odeia o mundo e tal). Depois que é incumbida da tarefa de cuidar de seu irmão, ela fica tão zangada que pede ao Rei Dos Duendes, Jareth, para levar o bebê embora. Jareth atende seu pedido e diz que ela só terá o pequeno Toby de volta se atravessar o labirinto até o castelo da Cidade dos Duendes.

Ao longo dessa jornada, Sarah conhece figuras bem inusitadas, passa por situações muito aleatórias, e vai aprendendo que o mundo não gira ao seu redor, e que há coisas muito mais importantes do que as futilidade por qual ela tem tanto apego a ponto de colocar os outros acima delas. Talvez esses aprendizados nem sejam o mais importante. O labirinto inteiro é algo incrível, toda a história, aventura e magia que criam em torno dele é muito mais importante!

A Sarah, como eu disse, é bem chata na maior parte do livro/filme, mas o que dizer do Jareth?! Além de ter uma personalidade muito excêntrica e o jeito debochado, é interpretado pelo David Bowie no filme ♥️ não nego: me apaixonei pelo Bowie como Jareth!
Enfrentando perigos indizíveis e dificuldades sem conta, lutei para percorrer o caminho até aqui, ao castelo para além da Cidade dos Duendes, para levar de volta a criança que você roubou.

Como eu disse, o livro é inspirado no filme, que foi dirigido por Jim Henson. Ele foi adaptado por A.C.H. Smith, que teve o cuidado de incluir no livro cenas que foram cortadas na obra cinematográfica, e é justamente por isso que eu indico o livro antes do filme! Uma coisa bem inusitada sobre eu e o filme é que, antes de eu conhecer a história, jurava que Labirinto - A Magia do Tempo e O Labirinto do Fauno (filme lindo de Guillermo del Toro) eram a mesma coisa hahaha

A edição da DarkSide Books faz referência a uma livro que a própria Sarah tem no filme. É em capa dura, têm várias ilustrações de Brian Froud, labirintos, um sumário (amo livros com sumários), além de anotações que mostram como o filme foi mais ou menos pensado. Ah, e em todos os livros vem um lindo marcador da Sarah e do Jareth! É uma verdadeira obra prima, e, sim, se tornou um dos meus livros favoritos!


Depois que assisti ao filme pela primeira vez eu soube que precisava ter esse DVD na minha coleção. Andei o centro inteiro, fui em lugares que nem sabia existia atrás desse filme e não o encontrei. Acabou que eu paguei um preço meio absurdo nele na internet. Estou mais pobre, mas estou feliz!

Se você não pode ler o livro agora, veja o filme pelo menos. Todas as cenas são encantadoras, e dou atenção especial ao baile: é impossível não torcer pelo casal Sarh-Jareth depois daquela cena. As músicas são cantadas pelo David Bowie, e me orgulho de dizer que sei todas (Chilly Down é minha preferida). A fotografia é linda, além de ser todo muito bem produzido para um filme dos 80's.

Quer meu coração, Jareth? Eu te dou!
Por favor, fãs dos 80's, me digam que vocês conhecem esse clássico! Por favor, me digam que aí, do outro lado da tela, tem alguém que ama esse livro e esse filme tanto quanto eu!

Isso é tudo, pessoal! Goblin Queen

as the world falls down..

Um guia peculiar: termos e curiodiades

Aproveitando que hoje é dia do lançamento de Mapa dos Dias, o quarto livro da série O Lar da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares, resolvi fazer esse post especial listando alguns termos e curiosidades sobre esse universo que tanto amo! Ter relido os livros esse ano, e terminado essa releitura tão perto do lançamento, foi incrível! Quase me esqueci o quanto essa história é especial pra mim.

Os termos foram tirados de páginas de notas do terceiro livro, Biblioteca de Almas, mas algumas coisas eu mesma fui anotando enquanto relia. Espero que gostem e que o post incentive mais pessoas a lerem. Ah, quem quiser saber mais sobre a história em si, é só ir ler esse post ;) 



♥️Peculiares: Ramo oculto de qualquer espécie, seja humana ou animal, abençoado (e amaldiçoado) com traços sobrenaturais. Respeitados na Antiguidade, porém temidos e perseguidos em tempos mais recentes, os peculiares são párias que vivem nas sombras. Syndrigasti é uma palavra da língua antiga usada para descrever os peculiares. Os ciganos e os peculiares são aliados, de certa forma - ambos excluídos -, e eles (os ciganos) ainda usam o termo.
Eu gostava dessa ideia: de que a peculiaridade não é uma deficiência, mas algo a mais. A explicação não era que não tivéssemos algo que os normais tinham, eles é que não possuíam peculiaridade. Nós eramos mais, e não menos. (Cidade dos Etéreos)
♥️ Fenda: Área em que um único dia se repete infinitamente. Criada e mantida por ymbrynes para abrigar seus protegidos peculiares, as fendas interrompem o envelhecimento de seus habitantes. Mas eles não são imortais: cada dia que "pulam" é uma dívida acumulada, a ser paga com um envelhecimento rápido pavoroso se permanecerem tempo demais fora da fenda.

As chamadas "fendas turísticas" eram fendas que tinham localizações estratégicas, em lugares e épocas de importância histórica. Haviam excursões a essas fendas consideradas parte essencial da educação de todo peculiar.



♥️ Ymbrynes: Matriarcas transmorfas do reino peculiar. São encarregadas de proteger crianças peculiares. Têm os poderes de se transformar em aves quando bem entendem e de manipular o tempo. Na antiga língua peculiar, a palavra ymbryne significa "revolução" ou "circuito".
Um novo mistério reside na essência do mistério da natureza. (Perplexus Anomalous)
♥️ Etéreos: Ex-peculiares, ávidos pela alma de seus antigos irmãos. São monstros cadavéricos e ressequidos, exceto pelas mandíbulas musculosas, dentro da qual abrigam línguas poderosas como tentáculos. São especialmente perigosos por serem invisíveis a todos, com exceção de alguns poucos peculiares, dos quais Jacob Portman é o único vivo de que se tem conhecimento (seu falecido avô era outro). Até pouco tempo atrás, quando uma inovação recente ampliou suas habilidades, os etéreos não podiam entrar nas fendas, que, por isso, eram a moradia preferida dos peculiares.

Os etéreos não podem entrar nas fendas temporais pois considera-se que, como os normais, eles não possuem algo que o peculiares possuem: uma peculiaridade essencial, que é o que permite a interação dos peculiares com as fendas temporais, a conexão com elas.


♥️ Ácolitos: Etéreos que evoluíram e se tornaram visíveis para todos e em tudo semelhantes a uma pessoa normal, com uma exceção: os olhos sem pupilas, perfeitamente brancos. Brilhantes, manipuladores e habilidosos em se disfarçar, os acólitos passaram anos se infiltrando tanto na sociedade normal quanto na peculiar. Eles podem ser qualquer um: o balconista da mercearia, o motorista do ônibus, seu psiquiatra. Realizaram uma longa campanha de assassinato, medo e sequestro de peculiares, usando os etéreos como seus monstruosos assassinos. Seu objetivo final é se vingar e assumir o controle do mundo peculiar.
Apenas uma história. História. Isso tinha se tornado uma das verdades definidoras da minha vida, pois por mais que eu tentasse manter as histórias aplanadas, bidimensionais, presas em papel e tinta, sempre haveriam aquelas que se recusam a ficar restritas ao interior dos livros. Eu sabia: uma história tinha engolido toda a minha vida. (Biblioteca de Almas)

Claro que tem muito mais coisa sobre esse universo, muitas outras curiosidade. O protagonista, Jacob Portman, nasceu na noite de Halloween. A sola do pé é a porta da alma de um peculiar. Foi em 1908 que ocorreu o experimento que criou os etéreos. As peculiaridades podem se adaptar, se "remodelar" dependendo da necessidade. Como só mulheres são ymbrines, a sociedade peculiar é quase um matriarcado.

Queria tanto poder falar sobre Abaton e a Biblioteca de Almas, mas isso seria muito spoiler para um post só. Vou deixar quem ainda não leu curioso!

Isso é tudo, pessoal! Srta. Rouxinol

#orgulhopeculiar