Dance of Thieves (Mary E. Pearson)


Mesmo levando anos e anos numa vida de leitora, eu ainda não consigo decidir se gosto mais de livros únicos ou séries. Existem livros que são perfeitos do jeitinho que são, e não precisam de nenhuma continuação. Já, em outros casos, eu fico triste só de imaginar viver num mundo onde a série toda não exista. De qualquer forma, quando se trata de trilogias, sagas ou séries, eu sempre vou ficar receosa quando, depois de um tempo, o autor anunciar que irá dar continuidade à história. Isso aconteceu até mesmo com Mapa dos Dias, o quarto da série da Srta. Peregrine (só aquele medinho básico, mas que se mostrou bobo porque eu amei o livro mais que tudo!) (meu livro favorito de 2018).

Bom, e eu com certeza também fiquei com o pé atrás com o lançamento de Dance of Thieves, o livro que é o primeiro da duologia Dinastia de Ladrões e que se passa cinco anos após os acontecimentos finais das Crônicas de Amor e Ódio (links das resenhas ali em baixo). Explicando: eu adorei as Crônicas, mesmo com alguma ressalvas com o último livro, então, pra mim, não havia mais o que pudesse ser contado sem arruinar as boas lembranças que eu tive me aventurando por esse universo. Mas, eu tenho que admitir, eu estava redondamente enganada em duvidar do potencial dessa nova história!

Resenhas dos livros de Crônicas de Amor e Ódio: Crônicas de Morrighan | The Kiss of Deception | The Heart of Betrayal | The Beauty of Darkness


Caso você não conheça os livros da Mary E. Pearson, tudo bem. Dance of Thieves é um livro que pode ser lido separadamente dos outros, mas eu já deixo alertado que com umas cinco páginas já tem spoiler do final das Crônicas hehe. Nele, somos apresentados a dois personagens: Kazi, que é uma ladra reformada e que faz parte da guarda de elite da rainha de Venda; e Jase, o novo patriarca da poderosa dinastia dos Ballenger. Kazi é enviada pela rainha junto com outras duas Rathan para investigar violações de tratados pelos Ballenger, além de uma missão secreta muito mais importante para a rainha. Mas, depois de acontecimentos que a aproximam de Jase, a imagem que sempre teve da família Ballenger começa a se modificar, assim como a do próprio Jase em relação aos vendanos.
Os fantasmas ainda estão aqui. As palavras permaneceram por um tempo no ar, cada uma delas um espírito reluzente, frios sussurros de cautela, mas eu não estava com medo. Eu já sabia. Os fantasmas, eles nunca vão embora.

Acredito que uma das primeiras coisas que vale a pena ressaltar sobre Dance of Thieves é que ele mostra claramente o quanto diferentes pontos de vista podem alterar totalmente uma situação, independente de quem está certo ou errado. Kazi e Jase foram criados para acreditar em certos paradigmas específicos, com realidades totalmente diferentes, e isso altera a visão atual deles sobre toda a tensão que permeia naquele momento. Os dois estão certos, os dois estão errados. Ou seja, no final só existem dois seres humanos que veem as coisas à sua maneira. E é tão legal ver como cada um enxerga as coisas (o livro tem capítulos intercalados), e mais legal ainda é ver esse casal m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o brigando hahaha!

Mas, além desse casal incrível e com um química maravilhosa, a história por si só é incrível. É nítida a evolução e o amadurecimento na escrita da Mary E. Pearson. Mesmo sendo um livro grande, ela sabe regrar bem o desenvolvimento dos personagens e dos conflitos, as descrições e flashbacks, e, claro, os momentos em que as coisas realmente acontecem. Tudo isso regado a uma escrita delicada, dramática e poética ao mesmo. Por mim o livro podia ter mais umas cem páginas que não ia reclamar...

O livro também conta com personagens femininas fortíssimas, a começar pela própria protagonista,
que é uma verdadeira guerreira, mas que também não poderia ser mais humana, não só que pelo faz no momento em que o livro se passa, como também pelo que aconteceu quando ela era criança. Além das outras duas Rathan que também são suas amigas, e que são incríveis: Synové e Wren. Na verdade, todos os personagens secundários têm suas histórias particulares, e que acabam sendo interessantes e bem desenvolvidas como a dos próprios protagonistas.

Dragões famintos podem dormir durante anos, mas ele não mudam seus hábitos alimentares. Ele deve ser encontrado. Os mortos demandam justiça, assim como os vivos.
Eu só posso dizer que tive todas as expectativas - que eu nem sabia que tinha - atendidas. Kazi e Jase, contem comigo para tudo! A história desses dois me emocionou e me instigou de tal maneira que era como se cada página passada me chamasse a ler mais, ao mesmo tempo que uma parte de mim queria ir devagar só para ter o prazer de ver essa história durar. Pra ser sincera, eu gostei muito, tipo muito mais desse livro do que de toda a trilogia das Crônicas, e olha que eu sou apaixonada por The Heart of Betrayal (rindo de nervoso só de lembrar desse livro). Foi uma jornada fantástica e que, felizmente, está só na metade porque Vow of Thieves logo logo está chegando (e eu não aguento mais esperar!) (compre aqui).


E, aaa, eu precisava tirar fotos desse autógrafo, né? Nem eu acreditei quando abri o pacote, vi esse livro (porque eu já tinha recebido um meses antes) e encontrei ele autografado, com o meu nome! O surto foi real, e agora ele é maior ainda porque eu tenho um dos melhores livros que já li na minha vida autografado por uma autora incrível. Eu sou uma Rathan muito feliz ♡ (oi DarkSide e Raquel, vocês são perfeitas!)

E, sobre a edição, eu adorei tudo nela. Gostei de terem feito um novo modelo de capa para essa duologia, e não seguido aquele estilo de silhueta como as das Crônicas (mas eu amo aquelas capas também hehe). E o corte de página é azul escuro, assim como a capa!


aquela coleção que me enche de orgulho ♡ aguardando ansiosamente por Vow of Thieves


Espero que o post tenha deixado vocês curiosos para ler esse livro e conhecer a escrita encantadora de Mary E. Pearson. Se alguém já leu, vamos por favor declarar nosso amor pelo Jase por ele junt@s e falar sobre aquele final...

Jumanji e Zathura: os melhores terrorzinhos infantis


Acredito que qualquer pessoa que foi crianças nos anos 2000 teve contato se não com um, com esses dois filmes clássicos: Jumanji e Zathura. Eu nunca tinha visto Jumanji até 2014, mas me lembro muito bem de me sentar em frente à televisão nos dias de sábado para assistir Zathura. Sinceramente? Eu não entendia nada hahaha! Achava tudo muito doido e levemente assustador (nada comparado com os terrores que minha mão me colocava para ver junto com ela, mas ainda assim...).

Foi só depois que eu cresci (e comecei a sentir saudade desses sábados preguiçosos) que percebi que esses dois filmes nada mais são do que dois terrorzinhos infantis maravilhosos! E imagina minha surpresa ao descobrir que existiam dois livros que inspiraram esses filmes e que a DarkSide iria lança-los *-*

Leia mais: O Fantástico Alfabeto Lovecraft | A Vida não me Assusta
Ambos fazem parte do selo Caveirinha, que é dedicado ao público infantil da editora. Por serem livros infantis eu já alerto que são diferentes dos filmes: nas produções cinematográficas temos uma expansão muito maior, uma história mais longa. Já os livros a gente consegue ler os dois em uma sentada, e isso não é ruim, afinal eles são voltados para crianças. Na verdade, o que mais me encantou nos dois é saber que foram a real inspirações para dois filmes que eu amo!

Para quem não conhece as histórias (faz favor, vamos ler os livros e ver os filmes), basicamente giram em torno de dois jogos tabuleiro, o Jumanji e o Zathura, sendo o Jumanji uma aventura na selva, e o Zathura, no espaço. Mas eles não são apenas jogos; digamos que eles querem deixar a experiência do jogador o mais real possível (hehe).

São dois livros muito imersivos. A gente logo de cara se vê envolvido na história de cada um e torce pelos personagens saírem vencedores. Apesar de serem aventuras fantásticas, carregam lições sutis, mas muito preciosas, além de sempre deixar aquela dúvida no ar: será que isso aconteceu mesmo?


Eu gostei das ilustrações porque elas ficam entre o real e o "aminado", além de serem lindas. Todo o trabalho gráfico do livro é muito bonito. Eles são num tamanho bem maior do que o convencional (eu tenho a teoria de que isso enche ainda mais os olhos das crianças) (e dos adultos hihi), com letras grandes e páginas bem grossas. São dois presentes perfeitos para crianças que estão aprendendo a ler e para adultos que querem reviver a nostalgia desses dois filmes tão marcantes ♥️


Foi só recentemente que parei pra pensar nesses filmes que não são adultos, e sim direcionados a um público mais jovem, mas que mesmo assim dão um medinho, sabe? Exemplos de fantasias infanto-juvenis acredito que existam várias (o próprio Stranger Things, Labirinto do Fauno, Goonies), mas infantis são poucas. Jumanji e Zathura, pra mim, são exemplos perfeitos disso. Não são feitos para assustar de verdade, mas sim pra deixar as nossas versões-criança pensando "nossa, se acontecesse comigo eu ia ficar apavorado!".


E, para completar, quem comprar qualquer um dos livros pelo site da Caveira (aqui e aqui) vai receber de brinde uma caixinha de lápis de cor super fofinha e delicada.


Os filmes, pra mim, são excepcionais. Como eu disse, comparados aos livros de Chris Van Allsburg, são bem mais completos. Eles juntam comédia e aventura de uma maneira tão legal e tão equilibrada, além de praticamente não envelhecerem porque eu tenho certeza que todo mundo gosta e não perde a chance de assistir. Eu gosto dos dois, mas não posso negar que tenho um amorzinho maior por Jumanji porque eu amo muito o Robin Williams também. (Inclusive, alguém assistiu ao remake? É bom? Tenho medo de ver e macular as boas lembranças que tenho do original.)


Se vocês fossem escolher apenas um dos jogos para jogar, qual seria? Espero que a resenha tenha deixados vocês curiosos para ler os livros e nostálgicos também. E, olha, tá aí dois filmes perfeitos para uma sessão nostalgia...

VAMOS JOGAR?

Lady Killer (Joëlle Jones & Jamie S. Rich)


Embora tenha havido uma grande evolução, muita gente ainda se vê preso a pensamentos retrógrados no que diz respeito ao papel da mulher na sociedade, e por isso, pessoalmente, não acredito que nós, mulheres, estamos totalmente livres de esteriótipos bobos. Quando a graphic novel Lady Killer chegou às minhas mãos eu fiquei pensando nisso. Apesar de não se passar no tempo atual, ela brinca de uma maneira peculiar e... sangrenta (hehe) com o esteriótipo da mulher que é "apenas" uma dona de casa.

O ano é 1960. A típica família americana perfeita. Josie Schuller é a esposa dedicada, mãe amorosa, respeitada pela comunidade. E uma assassina de aluguel profissional que, embora tenha de lidar com os cuidados da casa, uma sogra intrometida e um chefe que não consegue confiar em suas capacidades, mantém suas duas vidas equilibradas. Isso até ela cometer um pequeno erro que pode colocar em risco essa harmonia. 


Aaaah, eu fico imaginando como seria se esse quadrinho fosse publicados no 60's. Ou, melhor, se certas pessoas que alardeiam a ideia de que a mulher tem que ser "bela, recata e do lar" conhecessem a história de Josie... Assim que comecei a ler eu não consegui parar até ter chegado na última página. E me arrependi imediatamente de ter lido tão rápido, porque daí eu vou ter que esperar ainda mais pelo lançamento do volume 2! 

Essa é a mistura perfeita entre humor ácido e nonsense e ousadia. Josie é uma personagem incrível e, mesmo que o que ela faça não seja certo (porque ela mata pessoas, afinal!), nós acabamos torcendo para que não seja descoberta. Sua aparência doce e as roupas delicadas escondem uma verdadeira assassina fria e acima de qualquer suspeita, porque, aos olhos de todos, ela é só uma dona de casa. E a forma como os autores ironizam esse título é tão divertida e inusitada que só nos resta rir do quanto as pessoas a subestimam!


É impossível não fazer um paralelo entre esse quadrinho (que é totalmente fictício) e o livro Lady Killers - Assassinas em Série. E não apenas pelos títulos serem semelhantes. Algo que percebia enquanto lia os relatos reais de Tori Telfer é que muitas das mulheres estavam acima de qualquer suspeita pelo simples fato de serem mulheres. Claro, essas assassinas não merecem ser empoderadas ou lembradas como bravas destruidoras do patriarcado; matar outro ser humano é algo abominável independente do sexo. But, de toda forma, o fato de a sociedade duvidar das capacidades e do poder de uma mulher é algo corriqueiro, quase tido como normal, e isso já é tão ultrapassado que me impressiona que ainda exista quem pensa e age dessa forma. (Leia mais: Inferior é o Car*lhø)


A ideia de que existam na vida real mulheres más é inaceitável para algumas pessoas. Afinal, nós, mulheres, somo criaturas frágeis, delicadas, que adoramos cores sóbrias, temos o sonho de ser mãe e prazer em cuidar da casa, não é verdade? Bom, em partes. Nós podemos ser tudo isso... mas muito mais também! E a Josie é a prova disso. Ela consegue cometer o crime perfeito sem descer do salto alto e, embora se suje de sangue às vezes, não há nada que um par de luvas de borracha e alvejante não resolva. Como disse Tori Telfer, "assassinas em série são as mestras do disfarce: elas andam entre nós, no mundo, como nossas esposas, mães e avós".


Como se já não bastasse a história, a edição por si só é um primor à parte: diferente da edição original, as cores são muito mais vibrantes para, acredito eu, combinarem com a edição de Lady Killers - Assassinas em Série. Além disso, ela também tem uma luva, assim como a graphic novel N. , e a introdução à edição brasileira foi feita por ninguém mais ninguém menos do que Tori Telfer. Enfim, a DarkSide fez, mais uma vez, uma livro visualmente lindo e com o conteúdo incrível ♡ sem contar o par de luvas amarelas que são o brinde para quem comprar pelo site da Caveira.


Espero que tenham gostado da resenha e das fotos, e que o post tenha deixado vocês curiosos pela leitura do livro. Ah, e tomara que a continuação não demore a sair. E, lembrem-se, mantenham as roupas limpas e sem manchas de sangue!