Em Algum Lugar nas Estrelas (Clare Vanderpool)


É incrível quando conseguimos encontrar de maneira totalmente despretensiosa um livro que é sensível e profundo e leve e que nos transforma, tudo isso ao mesmo tempo. Mesmo eu já querendo ler Em Algum Lugar nas Estrelas desde a leitura de Minha Vida Fora dos Trilhos, foi só há mais ou menos um mês que eu consegui comprá-lo. Por causa da minha filosofia de vida, acredito que certas coisas chegam pra gente no momento exato em que tem que chegar. E foi exatamente isso que aconteceu com esse livro e comigo!


O livro se passa numa época pós Segunda Guerra, e é narrado pelo ponto de vista do Jackie, um garoto que acabou de perder a mãe e foi mandado para um internato pelo pai que não sabe como lidar com o filho após a perda. Nessa nova escola, ele se sente muito solitário e triste por tudo que aconteceu em sua vida.

Entre aulas e divagações sobre sua própria tristeza, ele acaba conhecendo Early, um garoto diferente de todos os outros. Early não frequenta a maioria das aulas, é muito recluso e frequentemente parece estar numa realidade totalmente avulsa. Os dois acabam desenvolvendo uma amizade graças a um barco que Jackie precisa consertar, e ele acaba descobrindo que Early tem uma fascinação pelo número Pi, acreditando que os números contam uma história e que Pi é um personagem.

Após serem deixados sozinhos na escola num feriado, Early anuncia que está embarcando numa jornada para encontrar o grande Urso Apalache, pois esse urso (que, na verdade, é uma ursa) vai mostrar aonde Pi está. Os dois vão juntos, descendo o rio num barco, nessa aventura que vai se mostrando muito maior do que a busca por um personagem fictício.


Olhamos para as estrelas com admiração e fascínio, mas o fascínio não é consequência só da veneração. É fruto também de uma pergunta: por quê?” Por quê? Essa pergunta está presente ao longo de todo o livro. Jackie se sente totalmente perdido. Ele não entendo por quê sua mão morreu, nem por quê ele foi mandado para um lugar desconhecido. Não sabe por quê se tornou amigo de um garoto tão diferente, e muito menos por quê aceitou sair navegando num barco pequeno e se embrenhar na floresta com esse mesmo garoto. Mas todos essas perguntas e esses questionamentos vão sendo esclarecidos para ele e para nós. Nem todos de uma forma que vão acabar com a dor, mas que vão ajudar a entender.

Early é um menino excepcional e com uma visão única e linda da realidade, mesmo com tudo que aconteceu com ele também. Acho que nunca encontrei um personagem com o qual eu me identificasse tanto. No final do livro a autora esclarece que escreveu Early como sendo um personagem autista, embora, na época, esse diagnóstico não existisse. Independente de tudo, ele continua sendo uma pessoa maravilhosa. O mundo precisa de mais pessoas como Early... e como Jakcie também, que, mesmo não entendendo muito das manias do amigo, compreende-as, sem julgamentos.

Em alguns capítulos os dois personagens parecem tão acuados graças a situação em que se encontravam e seus próprios conflitos internos, que é impossível não se identificar. Só que, ao mesmo tempo, a amizade que é construída faz com que eles se ajudem e, consequentemente, ajudem quem está lendo também! 


A escrita da autora é sensível e delicada. Clare Vanderpool teve todo o cuidado de criar uma história linda e emocionante, com descrições perfeitas que nos fazem desejar estar lá, vivendo tudo aquilo. Aborda temas importantes como amizade, respeito, família, luto, e tudo isso de uma forma leve, a nos fazer refletir sobre nossa própria vida. E não são só os dois personagens principais que são explorados; todas as figuras que eles vão conhecendo ao longo desse jornada são diferentes e tem algo a nos ensinar.

É um livro que ficará guardado no meu coração junto a títulos como Minha Vida Fora dos Trilhos e Leve-me Com Você (resenha). Eu sei que quando eu estiver me sentindo mal, ou estiver precisando ter de novo aquela sensação esperançosa que nos impulsiona a continuar, Jackie e Early vão estar entre as estrelas me esperando ♡


todo capítulo se inicia com uma constelação *-* fotografei a de capricórnio só porque é meu signo hehe


A edição é um ponto totalmente à parte que nos deixa encantados e ainda mais imersos na história. Está linda, um primor, assim como todas que a DarkSide Books faz! Toda em tons de azul e beje, cheia de estrelas, constelações e ilustrações que remetem a tudo que se passa ao longo da leitura. Dentro de livro veio também um marcador redondo com os cantores/músicas para se ouvir (ou não ouvir) em cada dia da semana junto com o Early.



Dcidi, além da resenha com fotos, gravar um vídeo para o YouTube. Falei de uma forma mais aprofundada do livro e, na "segunda parte", falei um pouco o Transtorno do Espectro Autista. Acho muito importante obras que trazem personagens autistas como o Early, pois ajudam a quebrar esteriótipos que se tem sobre esse transtorno, além de mostrar mostrar que não precisamos ter medo de conversar com uma pessoa autista. É outro ser humano igual a nós, e com uma maneira diferente de lidar com o mundo. (vocês podem assistir no youtube também hehe)


o Dirk Gently sendo muito fofo *-*


Espero que essa resenha tenha deixado vocês curiosos, nem que seja um pouquinho, para ler esse livro. Ah, e que tenham gostado do vídeo também. Quem aí já leu? Vocês podem comprar o livro aqui ou aqui.

as estrelas continuam a brilhar no céu do meu mundo particular ♥️

Funko pop: Doutor Estranho


Já fazia séculos que eu queria comprar um funko pop, mas, por alguma razão, eu sempre adiava esse momento. Acho que é porque nunca encontrei um que eu queria muito a ponto de gastar uma quantidade grandinha de dinheiro para conseguir hehe. Mas isso durou só até eu terminar de assistir os filmes da Marvel.

Nunca tinha assistido a nenhum dos filmes, e resolvi começar a vê-los em janeiro desse ano. Foi amor desde o primeiro filme, mas o personagem por quem me apaixonei quase que instantaneamente foi o Doutor Estranho ♥️ Depois que vi Guerra Infinita coloquei na cabela que eu tinha que ter o cabeçudinho do Mago Supremo. Na verdade, eu já tinha amado o personagem desde o filme solo. Amei todo o misticismo, a jornada do Strange, as lições, os efeitos visuais... pra mim, o filme é perfeito!


Procurei em várias lojas e não encontrava, o que só fazia meu desespero aumentar. Consegui achá-lo na Americanas e, como já estava na procura, nem me importei tanto com o valor e fui comprando (até porque só tinha três unidades à venda!). Infelizmente acabei de ver e não tem mais para vender lá!

Assim que ele chegou eu fiquei encantada. Depois que a paranoia sobre ele ser ou não falso passou, fiquei mais calma (vi fotos de um falso e ele é bem diferente, até engraçado) e consegui apreciar essa compra melhor. Quer dizer, foi quase como um grande acontecimento eu finalmente ter comprando um funko pop depois de várias meses divagando sobre com qual começar minha coleção.

Algo que eu reparei assim que comprei e que já vi outras pessoas falando é que os pops não são de uma qualidade excepcional. Às vezes podem vir com a pintura falhada, ou com um pouquinho de cola... é meio frustrante pensar que eles são tão caros no Brasil para virem com pequenos defeitos :x


Achei muito bonito o detalhe da capa dele voando. Sei que tem outros dessa linha do filme do Doutor Estranho, mas, sinceramente, não ligo muito para eles hehe. Só o meu Strange já me deixa muito feliz (mas não que eu não aceite os outros de presente). Ah, e ele é um modelo bubble head, ou seja, tem mola na cabeça, tipo aqueles bonequinhos de caminhão, sabe? Todos da Marvel são assim. No começo isso me incomodou, mas já me acostumei.

detalhes ♥️
Para quem não conhece a história do Doutor Estranho, ele era um médico cirurgião bem arrogante que teve sua carreira destruída após um acidente. Em busca de uma chance de cura para suas mãos, ele acaba sendo treinado por uma maga que o faz ver que a realidade vai muito além daquilo que os olhos podem ver.

Só lembrando que esse pequeno resumo aí de cima é de acordo com o filme. Eu sei pouco do personagem das hq's. Sinceramente, não tenho interesse em ler os quadrinhos da Marvel porque é muita coisa (realmente muita coisa!), mas pelo Strange, eu até faria um esforço hihi.


Depois que eu tirei as fotos do post, resolvi tentar fazer essa arte no Olho de Agamotto e com as mãos do Strange, mas não sei se gostei tanto. Na verdade, eu gostei (?), mas achei que poderia ter ficado melhor hehe. As fotos aí de cima são quase o passo a passo de como fui fazendo as edições. O que acharam?

Morte é o que dá sentido à vida. Saber que os seus dias estão contados. Que seu tempo é curto.
Esse post foi bem aleatório, só com fotos clenas mesmo hehe. Fazia tempo que eu não postava algo assim por aqui, né? Vou tentar fazer um post assim toda vez que comprar o funko pop novo (o que não deve demorar).

Vocês também gostam desses cabeçudinhos? Quais vocês tem ou setem vontade de comprar?

Sobre Laranja Mecânica e o que nos torna humanos

[escrevi essa crítica ao filme Laranja Mecânica para a aula de Filosofia e Ética e achei relevante postá-lo aqui, pois essa história foi uma das que mais me marcou desde que li o livro em 2016]
“A virtude vem de nós mesmos. É uma escolha que só a nós pertence. Quando um homem perde a capacidade de escolher, deixa de ser homem.” Esta frase é dita no clássico Laranja Mecânica, livro distópico de Anthony Burguess publicado em 1962. Nele, a violência juvenil atingiu níveis alarmantes. O protagonista, Alex, é um dos que faz parte dessa corrente violenta. A frase também é dita na obra cinematográfica. Embora o livro carregue uma carga ainda mais profunda, é inegável o impacto que o filme dirigido por Stanley Kubrick tem sob seus telespectadores, dando cenários e rostos reais à trama.

Mas a questão é que essa frase defini muito bem as críticas que a história quer passar. Alex é um rapaz violento, totalmente insensível às dores que causa a outras pessoas. Isso não muda nem mesmo depois que ele é mandado para a prisão por assassinato. Lá, ele se vê participando do “Experimento Ludovico” - seguindo o mesmo princípio do Condicionamento Clássico ou Pavloviano -  onde, graças ao emparelhamento entre um medicamento (estímulo incondicionado) e imagens de violência extrema (estímulo condicionado), ele se tornará avesso a toda agressividade que sempre fez parte de sua vida, verdadeiramente apto para retornar à sociedade como uma “pessoa boa”.

Mas o que realmente significa ser uma pessoa boa? Seria justificável, mesmo num cenário onde a criminalidade atingiu níveis exacerbados, mexer com a mente de uma pessoa, alterá-la à vontade de terceiros? O filósofo Durkheim foi o primeiro a propor que, se algo está errado com a sociedade, a criminalidade é um sintoma disso. Criminosos nada mais são do que uma reposta da realidade onde o mundo se encontra. Mas, mesmo assim, todo sistema de leis e morais que temos assume que as pessoas são diretamente responsáveis pelo que fazem. Cada ser humano vivo na Terra tem seu livre-arbítrio e, quando isso lhe é privado, é como se a própria humanidade também lhe fosse tirada.

O nome do filme faz jus ao que realmente significa: depois do experimento, Alex se torna um robô, obrigada a seguir a moral social de uma jeito ou de outro, pois, caso contrário, a agonia seria insuportável. Ele se torna uma “laranja mecânica”.

O condicionamento do experimento pode ser comparado a tudo de ruim e reprovável que Alex fez, e no filme fica claro que os cientistas envolvidos não estão muito interessados nas consequências que tudo aquilo trará  para a vida dele, o que é totalmente contra os princípios da bioética. Em uma sociedade apenas preocupada com a punição, pouco importa se alguns poucos ou muito serão sacrificados no processo. O Estado, através de um método científico, controla o indivíduo, suas vontades, seus pensamentos.

Em um mundo utópico, todas as pessoas seriam “boas”. Não haveria crimes nem prisões e nem a necessidade de obras como Laranja Mecânica. Mas a realidade não é assim. Não era assim em 1971 quando o filme foi lançado, não é assim hoje, e provavelmente não será assim daqui cem anos. Não pode haver o bem se não existir o mal. E também não pode haver humanidade se não houver a opção da escolha. E não é ninguém trajado de branco fazendo experimentos desumanos que irá mudar isso.