O Diário de Myriam (Myriam Rawick e Philippe Lobjois)


A Guerra na Síria começou quando pessoas insatisfeitas com o governo de Bashar Al Assad passaram a protestar pacificamente e foram recebidos de forma hostil e violenta, desencadeando daí uma guerra civil. Antes, o que era apenas insatisfação contra um ditador, se tornou uma guerra pelo poder, entre os povos e religiosa. Mais de 400 mil pessoas já foram mortas, e esse número, infelizmente, continua subindo.

Alepo é uma das maiores cidades da Síria, e passou de um berço cultural para o que hoje é principal palco da guerra. Era nessa cidade que Myriam Rawick vivia feliz com sua família, e é de lá que veio o emocionante O Diário de Myriam. Ela tinha apenas seis anos quando passou a escrever num diário. Nós vemos as mudanças começando, pois: eram apenas protestos isolados e que não causavam mal algum. Mesmo que seus pais demonstrassem preocupação de vez em quando, ninguém achava que uma guerra poderia começar, muito menos uma criança inocente.
Meu nome é Myriam, tenho 13 anos. Cresci em Jabal Sayid, bairro de Alepo, onde também nasci. Um bairro que não existe mais.

Esse é, com certeza, um dos melhores livros de 2018. Um relato emocionante e simples sobre uma guerra que, embora noticiada pelos grande meios de comunicação, quase nunca recebe a digna repercussão. É angustiante ver o quanto a vida Myriam vai mudando gradativamente, as batalhas que ela e sua família travam todos os dias para sobreviver.

Desde que a guerra começou, quem mais sofre com ela são os civis, pessoas como eu e você, como Myriam, que estavam vivendo suas vidas tranquilamente. É horrível pensar que muitas histórias como as de Myriam não poderão ser ouvidas ou lidas, seja por falta de oportunidades para tanto, ou porque essas crianças estão mortas.

Mesmo ainda não tendo lido O Diário de Anne Frank, sei bem como é a história da garota judia que viveu durante a Segunda Guerra Mundial, e é impossível não comparar as duas obras. Histórias como essas me fazem lamentar ao ver que o se humano não aprendeu nada: o mundo já enfrentou duas grandes guerras mundiais, e, como eu disse, embora a guerra na Síria não tenha o devido reconhecimento, é um conflito que afeta o mundo inteiro, seja pela questão dos refugiados, ou pelos ataques terroristas que ocorrem com certa frequência.


O Diário de Myriam é um daqueles livros que me fazem ter cada vez mais certeza de que palavras podem mudar o mundo. No final, quando as coisas "se acalmam", Myriam faz reflexões sobre muçulmanos, e aprende que nem todos são terroristas. Infelizmente, isso é algo que ainda precisa ser reforçado, pois, como bem sabemos, muitos refugiados encontram hostilidade em outros países, sendo que essas pessoas são aqueles civis que preferem arriscar suas vidas fugindo a ficar no lugar onde estão.

Embora o livro não seja exatamente algo otimista como vemos em A Guerra que Salvou a Minha Vida e A Guerra que me Ensinou a Viver (histórias fictícias, mas que tratam da Segunda Guerra de uma forma incrível), é uma leitura transformadora, que nos faz refletir sobre as vidas que esse conflito terrível destrói, sobre o modo como enxergamos as pessoas que chegam da Síria pedindo ajuda. E, mais importante, até onde o ser humano está disposto a ir por poder e por não respeitar as diferenças. Quantas guerras serão necessárias e quantas vidas mais serão desperdiçadas? Na palavras da própria Myriam, só quem perdeu a paz sabe o valor dessa palavra.
A guerra era minha infância destruída sob essas ruínas e fechadas em uma caixinha.

Essas são histórias que todas as pessoas do mundo precisam ler! ♡


Eu achei lindo o fato de terem sido incluídas nos livros cartas de crianças que, antes de o livro ser lançado, estavam interessadas em ler a histórias de Myriam. Na época, as cartinhas foram enviadas ao Jornal Joca, e hoje essas crianças podem ter em mãos o diário.

Situações como essa me dão esperança. Sou daquelas que acredita que a leitura deve ser incentiva desde bem cedo (acho que isso se dá por eu ter começado a ler muito cedo hehe). Mais importante ainda é proporcionar para as crianças leituras que as fazem ter outras perceptivas, ver que existem realidades totalmente diferentes da nossa, e que é nossa responsabilidade como seres humanos nos compadecermos e ajudarmos.


O livro faz parte do selo Crânio, um selo da DarkSide Books que vai publicar apenas livros com histórias reais ou didáticas. A edição, diferente da maioria, é de brochura, mas isso não atrapalhou em nada, pois continua linda. A folha de guarda é cheia de flores, têm as cartas das crianças, como já disse ali em cima, e, nas últimas páginas, fotos emocionante da atual Alepo. (No final eu já estava querendo chorar, e essas fotos me fizeram desabar de vez!)

Algo muito legal que a editora fez foi criar um site exclusivo para o livro. Lá têm fotos, informações extras, o book preview, uma reportagem especial que o Fantástico fez, e uma notícia que mostra como podemos ajudar os refugiados sírios.



Tantas lembranças que me fazem recordar minha vida de antes. Lembranças que são como miragens. Tão distantes daquilo que vivo hoje. Daquilo que vejo. Daquilo que sinto.


Espero, do fundo do coração, que essa resenha tenha incentivado pelo menos uma pessoa a ler O Diário de Myriam. Espero também que, daqui uns anos, esse livro seja visto como a história de Anne Frank é vista hoje: um clássico que nos lembra dos erros que a humanidade não pode voltar a cometer!

Isso é tudo, pessoal! Rainha Vermelha, 

SOMOS TODOS LOUCOS AQUI

20 comentários :

  1. Quando comecei a ler sua resenha, pensei de imediato no diário de Anne Frank. rs
    Acho que a maioria dos relatos sempre nos levará a pensar nesse livro.
    Mas uma coisa que você disse me chamou a atenção e eu fiz uma pausa aqui para buscar por ar. E me lembrei de uma cena do filme 'as sufragistas' em que uma das personagens diz que a única linguagem que os homens (do gênero masculino) entende é a guerra. Isso me deixa sem ar porque não importa os anos, o tempo, o século... sempre há guerras, mortes e realidades alteradas para sempre. Não aprendemos, apenas insistimos nos mesmos erros. aff

    bacio

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Graças a esse livro eu acabei buscando mais informações sobre a Guerra na Síria (e fiquei muito chocada e triste com tudo!). Eu ainda tenho esperança de que um dia as coisas melhorem, não consigo pensar diferente </3

      Excluir
  2. Não tem como não pensar em Anne Frank com livros assim.
    Eu comprei, não resisti, são narrativas que me emocionam demais e eu quero ler.
    A edição está maravilhosa mesmo, detalhes lindos!
    Amei sua resenha!

    bjs
    Fernanda

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Tomara que ainda esse ano eu consiga ler O Diário de Anne Frank! Fico feliz que tenha gostado da resenha ;*

      Excluir
  3. Só queria dizer que fiquei apaixonada por essa resenha e não vejo a hora de dar uma chance pra essa leitura

    Sai da Minha Lente

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Clayci, minha lindinha, tenho certeza que vai amar o livro! *-*

      Excluir
  4. Eu já vi várias postagens sobre esse livro. E é realmente incrível como esses relatos nos deixam emocionados com fatos de nossa História. E fiquei impressionada também com o fato de crianças quererem ler um livro, ainda mais com fatos reais. Ainda acho que os bons são maioria e, onde houver uma criança querendo ler, haverá sim esperança. Bjks!

    Mundinho da Hanna

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu também fiquei emocionada com as cartas que li no começo do livro. Os pedidos das crianças pelo livro são lindos, e nos dão aquela pontinha de esperança :)

      Excluir
  5. Tenho visto muito sobre esse livro por aí já tem um tempinho e eu já li em pelo menos um blog resenha sobre ele. Como você comentou, é impossível não relacionar com o Diário de Anne Frank que, aliás,deve ser o livro que mais vezes eu li e reli na vida. Por isso também a história me chamou a atenção e acabou entrando para a minha lista de leitura. Só ainda não li pois não estou em um momento legal para ler coisas mais tristes e pesadas, mas comoc erteza lerei em breve.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Quero tanto ler O Diário de Anne Frank! Tenho certeza vou adorar e me emocionar </3
      Entendo bem esse seu momento, pois eu sempre tenho quando o assunto é ler livros tristes. Espero que logo logo você possa ler a história de Myriam.
      beijos.

      Excluir
  6. Oi Lu.
    Nossa, essa história deve ser bastante comovente (com certeza vou chorar quando for ler). E fiquei bem interessada em ler, até mesmo para saber mais sobre esta guerra terrível que afeta tantos sem que tenhamos conhecimento ainda.

    Abraços, parabéns pela resenha e obrigada pela dica de leitura, que sem dúvida será importante para que saibamos mais sobre esta guerra da mesma forma que "O diário de Anne Frank" foi e ainda é importante.
    https://livrosgatoscafe.wordpress.com/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Esse livro nos faz perceber que as pessoas que estão lá na Síria, sofrendo, não são números de um noticiários, mas SERES HUMANOS. Uma leitura incrível <3

      Excluir
  7. Eu já li o Diário de Anne Frank e não tive como não lembrar dele no início da sua resenha. E como você, acredito que a leitura é uma excelente forma de aprender sobre a vida e aceitar a opinião dos outros. Mesmo que sejam histórias fictícias, pois você entra naquele mundo e vive aquele personagem como se fosse real. Você sente as dores e os amores que as páginas trazem e dessa forma acabamos desenvolvendo a tal da empatia, que esta em falta hoje em dia nas pessoas. Beijos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Hoje eu tenho orgulho de dizer que livros ajudaram a me tornar quem eu sou, em transformaram, me ajudaram, me fizeram aceitar as diferenças. O Diário de Myriam, sendo uma história real, se torna ainda mais comovente!

      Excluir
  8. Oi Luh,

    Esse livro me lembrou muito Anne Frank! E confesso que não sei se estou preparada emocionalmente para ele. Hahaha! Se quando li A Guerra que Salvou a Minha Vida já chorei, imagina com uma história tão delicada quanto essa.

    beijos,

    Deborah | Perdida em Ficções

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Mesmo a gente beirando as lágrimas, é uma leitura que vale a pena, Deborah! <3

      Excluir
  9. Esse livro foi uma leitura tão marcante!
    Ver a guerra pelo olhar da Myriam foi com certeza, um jeito muito mais humano de olhar para essa Guerra e para todas as vítimas do conflito.
    Resenha linda Luh <3
    Um beijo!
    Colorindo Nuvens

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Exatamente, Dai! Geralmente a gente vê as pessoas dessa guerra como números do noticiário, não como seres humanos, e isso livros nos faz mudar isso.
      Obrigada pelo carinho <3

      Excluir
  10. Oi Luana
    Seu post ficou ótimo!
    Adorei as fotos
    Tbe amei este livro e super recomendo a leitura para todos
    Bjs

    ResponderExcluir

Recadinho: clique em "notifique-me" para descobrir qual foi minha resposta ao seu comentário, e para que possamos conversar melhor ;)