Só eles salvam | Texto especial sobre "Só os Animais Salvam", de Coridwen Dovey


O texto que vocês vão ler a seguir foi publicado originalmente na Havard Magazine, em 2015, e traduzido pela Débora Costa, do blog La Oliphant. A DarkSide Books disponibilizou-o para que seus parceiros pudessem publica-lo e, como o livro Só os Animais Salvam está sendo sorteado aqui no blog, achei que seria legal para animar todo mundo a participar, ou comprar o livro. Ah, inclusive, ele já chegou aqui em casa! É esse da foto, junto com o meu gatinho, o Cotonete 

empatia e imaginação

Só os Animais Salvam, de Ceridwen Dovey, é uma desconcertante e lindamente trabalhada coleção de histórias contadas pelas almas de animais mortos. Um gato é morto por um atirador no Fronte Ocidental; um mexilhão azul se afoga em Pearl Harbor; uma corajosa tartaruga é lançada ao espaço na era Soviética; e um papagaio que se automutila é abandonado em Beirute no meio dos ataques aéreos de Israel em 2006. No entanto, Dovey ilumina e acrescenta camadas a esses contos com humor, imaginação e uma construção literária engenhosa. A maioria dos animais são conectados a escritores - Colette, Jack Kerouac e Gustave Flaubert, entre outros - que deram destaque para animais em suas próprias ficções, e conseguem emular suas vozes literárias. (o mexilhão Kerouaciano dizendo adeus para um amigo: "Nós não entendemos, mas deixamos ele ir, doendo, como as chamas de uma manhã vermelha quente brincando com as varas de pescar e dançamos na marola azul sob o ancoradouro"). Assim, o que Dovey diz ter começado como "um experimento" em recontar incidentes históricos de sofrimento em massa através de seres vulneráveis sem vozes "para chocar leitores para empatia radical" se tornou "essa mistura estranha de contos, biografia literária e ensaio – com muitos detalhes realistas – e também uma espécie de tributo amoroso para esses autores que me fascinam”.  
Publicado ano passado na Austrália (Dovey vive em Sydney), Só os Animais Salvam evocou uma sinopse prestativa de J. M. Coetzee, além de diversos prêmios; teve seu lançamento previsto no Reino Unido em agosto e Farrar, Straus and Giroux vão lançar a edição americana no dia 15 de setembro.  
Alguns dos temas do livro – conflito, abuso de poder e as origens amorfas da crueldade, inspiração e empatia - também vêm à tona no livro de estreia bem diferente de Dovey, Blood Kin (2007). Ambientado em um país sem nome durante um golpe militar, o livro curto e ousado explora as complexidades da conspiração, com um pano de fundo de perigo e erotismo, através dos relatos em primeira pessoa do barbeiro do ex-presidente, o cozinheiro e o retratista, todos aprisionados em uma propriedade rural remota. 
Sem dúvida, Dovey se inspira em sua infância na África do Sul na época do apartheid. Havia, ela diz, "um senso de ser cúmplice [do sistema] em algum nível porque o seu privilégio é concedido através da dor que outras pessoas estão vivendo. Mas você era muito jovem para ser totalmente responsável." Os pais dela, Teresa Dovey, uma pioneira estudiosa dos trabalhos de Coetzee, e Kenneth Dovey, um psicólogo educador, eram politicamente ativos. Razões pessoais e políticas levaram a família a transitar entre a África do Sul e a Austrália cinco vezes entre os anos de 1982 e 1987. Em 1995, o apartheid tinha acabado, e os Doveys tiraram um ano sabático em Sydney. Quando o tempo acabou, no entanto, Dovey e sua irmã - Lindiwe Dovey, agora uma estudiosa do cinema e da cultura africana, professora, e cineasta em Londres - estavam tão felizes com a escola que escolheram ficar, sozinhas. "Foi uma decisão muito corajosa para os meus pais tomarem," ela diz. "Eles vinham visitar quando podiam. Nós não fomos abandonadas de jeito nenhum."  
Em Harvard, ela se focou em estudos visuais e ambientais e antropologia, e, para o seu projeto final, fez o documentário Aftertaste, sobre as mudanças nas relações trabalhistas e culturais nas "vinícolas" sul-africanas. Depois da formatura ela se mudou para a Cidade do Cabo, onde escreveu Blood Kin, que foi publicado inicialmente pela Penguin South Africa. Ela retornou aos Estados Unidos para fazer pós-graduação em antropologia social na New York University, ganhou um mestrado, mas partiu sem um doutorado, então se casou com o atual marido, Blake Munting, e voltou para Sydney, onde seu filho, Gethin, nasceu em 2012. (Eles estão esperando mais um filho até o final do ano). 
Escrever sempre foi um de seus "canais criativos". Ela já finalizou oito livros (seis que, na mente dela, não merecem ser publicados), mas, apesar das críticas positivas para Blood Kin, continuou seu trabalho como pesquisadora ambiental e em projetos de filmes etnográficos até que Só os Animais Salvam, que ela se refere prontamente como "um livro estranho", foi publicado. "Eu não esperava aquilo. Eu estava escrevendo personagens que eram animais mortos," ela explica, "e não fazia ideia se eu tinha ficado completamente louca." Um aumento de confiança, juntamente com uma preferência crescente pela solidão e a autonomia que a arte literária proporciona, a levou a se comprometer a escrever em tempo integral no ano passado, incluindo não-ficção freelance para o blog do The New Yorker.  
A maternidade também teve o seu papel: "Me tornou mais grata pelo tempo que eu tenho para escrever," ela acrescenta - e por fim mais criativa, especialmente enquanto terminava Só os Animais Salvam, em 2013. A natureza da gravidez, amamentar e cuidar de um recém-nascido, intensificou sua afinidade com "toda a família dos mamíferos."
O título original do livro vem dos trabalhos de Boria Sax: "O que significa ser humano? Talvez só os animais saibam." Assim como Coetzee, Sax, um autor e acadêmico conhecido por seus textos sobre a relação entre humanos e animais, influenciou Dovey, que também admite sentir-se “perplexa ao ponto de inação nos termos das responsabilidades éticas que temos em relação aos animais e as obrigações que devemos a eles como a espécie dominante na Terra. Nós tratamos os animais das maneiras mais terríveis atualmente."  
Ainda assim, Só os Animais Salvam é apolítico. O livro gera empatia, vergonha e tristeza, mas também admiração para com essas criaturas espirituosas. Eles enfrentam o que a vida e a morte trazem com uma presença de espírito invejável, como seres viscerais. “Que escolha ela tinha”, pergunta o papagaio em Beirute, “senão pendurar minha gaiola na tenda acima e sair tão silenciosamente quanto pudesse, antes que eu percebesse que estava sozinha?”. 
“Eu tenho muita noção de que nós somos todos criaturas que sofrem juntos, e que a existência é difícil para todos nós”, Dovey reflete. “Tem alguma coisa também sobre o elo que nós temos com os animais, o cuidado e a conexão que não apreciamos, ou que não vemos a mágica tanto quanto deveríamos”. As lições dos animais, ela destaca, agraciaram a literatura infantil ao redor do mundo. “Eles são como oráculos, lá nas nossas primeiras tentativas de construir empatia e imaginação”. E isso dá trabalho, ela diz: essas capacidades “não vêm automaticamente, no sentido de que a crueldade é uma falha da imaginação. Algo acontece na leitura através dessas lições dos animais que é bastante ligado ao que significa ser um bom ser humano”. 
Isso é tudo, pessoal! Rainha Vermelha, 

SOMOS TODOS LOUCOS AQUI

40 comentários :

  1. Eu já tinha visto essa capa algumas vezes, mas nunca tinha parado para saber do que se tratava. Agora que sei, vou tentar participar do seu sorteio e quem sabe poderei ler o exemplar! =)
    Bjks!

    http://mundinhodahanna.blogspot.com

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    1. Desejo boa sorte pra você, chuchu <3

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  2. Já tinha sido falar nessa obra, mas não tinha muita certeza se seria uma boa investir tempo, seu post aumentou minha curiosidade e com certeza valerá a pena fazer esse bom investimento kkkk Abraços 😊

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  3. Eu ja tinha ouvido falar desse livro, mas não tão profundamente. Acho essa capa tão linda 😍. Com certeza vale a pena ler esse livro. Quem sabe eu não invisto nele. Rainha Vermelha, melhor livro ❤😂😂. Beijão e sucesso para você. 😚

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    1. A capa é realmente linda, assim como todas da DarkSide Books *-*

      Aaah, e moça, não entendi muito bem o seu "Rainha Vermelha, melhor livro", mas eu eu sou a Rainha Vermelha do País das Maravilhas ;)

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  4. Eu ainda não conhecia o livro, mas após saber do que se trata super me interessei em lê-lo!

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  5. jkkjkjkjkjkjl que legal, o nome da autora vem de uma deusa celta, Cerridwen. Boa recomendação de livro. Fiquei meio abalado quando vi as formas como os animaizinhos contavam as histórias e como eles foram mortos também. Muito triste.

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    1. Fico feliz que tenha gostado da indicação. Espero que o leia um dia :D

      Ah, e sim, o livro pode ser um pouco triste, mas mesmo assim tem uma magia!

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  6. Nossa, que premissa interessante a desse livro. Curti demais e fiquei bem curiosa. Vou dar uma olhada com calma na livraria, me animei para ler! Um beijo :*

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    1. Aproveite esse lançamento incrível! <3

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  7. Primeiro de tudo, não sei o que é mais bonito: seu gatinho ou a capa desse livro! (acho que o Cotonete ganhou <3)
    Não conhecia o livro nem a autora, mas achei o texto bem interessante e, por isso, vou correndo participar do sorteio!

    sorria sempre :)
    www.malusilva.com.br

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    1. Eu agradeço elogio em nome do Cotonete, amora ^_^

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  8. Achei super interessante! Nunca tinha ouvido falar sobre esse livro. Vou procurá-lo para comprar.
    Beijos!
    www.brincandodeolivia.com

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  9. Eu já falei que tenho uma invejinha da sua parceria com a DarkSide né? hahaha
    Enfim, além da resenha do livro ( que estou louca pra ler), confesso que a foto com este gatinho vesguinho coisa mai linda me chamou atenção tbm! hehehe
    Amei tudo <3
    www.doceestranheza.com.br

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    1. Como eu disse, moça, estou torcendo para que você consiga parceria com a Caveirinha *-* Ah, e fico feliz que tenha se animado a ler o livro!

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  10. Quero ler esse livro, apesar de achar que vou chorar muito, porque se tem uma coisa que me faz chorar são histórias de animais.
    Beijos
    Mari
    Pequenos Retalhos

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    1. Histórias de animais são as que mais me fazem chorar, hehe. Ah, e como diz o slogan do selo DarkLove, é pra morrer de amores! <3

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  11. Já queroooooo ler, mds eu amo resenhas e essa me encantou de um jeito inesplicavel, amei muitooooo o post. Parabéns e sucesso ❤️❤️❤️

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    1. Fico feliz que tenha gostado, chuchu :*

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  12. Fiquei com vontade de roubar seu gato e nossa muita reflexão neste livro pois estamos precisando de seres humanos melhores.bjs

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    1. Precisamos de mais empatia no mundo <3

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  13. Estou doida doida doida para ler este livro!! Não vejo a hora que o exemplar que ganhei no sorteio da Dark Side chegue aqui em casa. Seu gato parece muito com a minha Laila. Beijão, amei a resenha!

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    1. Você foi uma das sortudas que ganhou o exemplar da Caveirnha? Parabéns, moça, e boa leitura <3

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  14. Gostei bastante do jeito como foi explicado como foi escrito, como é por dentro, irei participar do sorteio também!
    Www.agendaleatoria.blogspot.com.br

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  15. Ai que amor! Quero muito esse livro. Deve ter histórias lindíssimas. Vou participar do sorteio ♥

    www.ondecevailoko.com

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    1. Que bom que decidiu participar, amora! Boa sorte :3

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  16. Achei a capa linda e o enredo da historia bem interessante!
    Fiquei com medo desse gatinho ahahaha
    Beijo :)

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    1. Mas esse gif é tão simpático, haha :3

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  17. Ownnnn cotonete?! Amo gatos e tenho apenas alguns hahah. Acho que eu não conseguiria ler nem uma página desse livro pela carga emocional que ele tras. Quem dera se todos os animais pudessem expressar seus sentimentos com clareza...:(

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    1. Alguns? Haha, queria que minha mãe me deixasse ter muitos outros gatinhos :3

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  18. Essa capa é maravilhosa. Uma das mais lindas que já vi (eu amo os livros pela capa também, tenho que admitir).

    Como sempre teus posts são impecáveis de lindos. Quero participar do sorteio *-* aaaaaaaaaaaa

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    1. Fico muito feliz que tenha gostado, lindinha! Boa sorte no sorteio :3

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  19. Eu amei esse livro desde o momento que a Darkside divulgou, mas confesso que estou com um pé atrás em ler. Eu sou muito emotiva quando se trata de animais (já perdi alguns bichinhos e é um assunto bem complicado), mas ele está na minha lista. Ah, o Cotonete é lindo! <3

    Beijos!

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    1. Eu também sou bem emocionável com animais, mas confesso que estou muito curiosa quanto a esse livro :3

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  20. Oi Luh, tudo bem? Não conhecia esse livro antes de você divulgá-lo aqui no blog e confesso que gostei muito do enredo. Hoje adulta não tenho mais bichinhos porque morava num apartamento, mas quando criança já tive cachorros, gatos, passarinhos, pintinhos e até coelhos. Ah, e já tive peixinhos também. Acredito que a mentalidade de tratá-los bem, ter carinho e ser uma boa pessoa é revelada pela maneira como os tratamos. Lindo texto. Beijos, Érika =^.^=

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    1. Érika, eu fico muito feliz em saber que foi meu blog a te apresentar essa obra que parece ser tão encantadora! Eu nunca tive MUITOS bichinhos, pois minha mãe não gosta muito, mas já tive uns dez cachorrinhos, um pexe, dois canarinhos e agora tenho meu Cotonete *-*

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