Vow of Thieves (Mary. E. Pearson)


Sabe aquele livro que você termina de ler e pensa "ainda bem que eu li esse livro"? Pois é, foi justamente esse meu pensamento depois de concluir a leitura de Vow of Thieves, segundo volume da duologia Dinastia de Ladrões (leia a resenha de Dance of Thieves). Eu já havia me encantado pela escrita da Mary E. Peason antes através da trilogia Crônicas de Amor e Ódio, mesmo tendo algumas coisinhas que me incomodaram ao longo da leitura. Mas esse spin-off eu ouso dizer que é perfeito! A qualidade da escrita se mantém ao longo deles, e a história é tão linda! Ah, e é bom lembrar que você não necessariamente precisa ter lido a primeira trilogia para entender e se encantar por esses dois. (a Melina Souza fez um vídeo falando sobre isso)
Esperança. Ela se erguia em algum lugar oculto dentro de mim.
No primeiro livro conhecemos Kazi, uma Rathan do Reino de Venda que foi enviada pela rainha a uma terra distante para investigar infrações e outros assuntos inacabados; e Jase, o novo líder da Dinastia Ballenger. Por uma brincadeira do acaso, os dois acabam se encontrando e tendo seus caminhos cruzados, e assim dando início a uma sequência de acontecimentos que podem mudar o destino de suas vidas, e de Venda, e dos Ballenger.

Após os eventos do primeiro livro, os dois estão se aproximando da Torre da Vigília de Tor, mas são pegos num emboscada violenta. Nenhum deles sabe o que está realmente acontecendo e, acabam sendo separados. A partir daí cada um tem de lutar com as armas que possui, não apenas para conseguirem sobreviver e se encontrar, mas para salvar o mundo todo!


Eu tentei dar o mínimo de detalhes possível, pois não quero dar nenhum spoiler. E, até porque, meu intuito com essa resenha é convencer vocês a lerem sem entregar tanto coisa assim da história. O que eu posso dizer? Que livro fantástico! Eu já havia amado com todas as minhas forças Dance of Thieves, mas esse continua tão bom, e eu li tão rápido e amei tanto que se torna quase impossível para mim dizer qual é melhor; os dois são uma unidade e os dois são perfeitos! 

A autora conseguiu expandir o universo de Crônicas de Amor e Ódio perfeitamente bem, e criou um novo arco com personagens ainda mais apaixonantes e únicos. Kazi é definitivamente uma das minhas personagens femininas favoritas: ela é forte e destemida, e isso, a despeito de tudo que que ela passou, é incrível. Jase vai ser pra sempre um dos meus amores literários: sua coragem e seu altruísmo me deixaram fascinada. O amor desses dois é lindo, a gente viu crescendo e se tornando cada vez mais forte ao longo das páginas. É emocionante, é um sentimento que eu quero viver um dia.

Quando ao vilão, é surpreendente, pois a autora pegou detalhes que provavelmente são deixados de lado no primeiro livro, mas que no final (ou na hora da grande revelação sobre o causador de todo o problema) faz todo sentido. Inveja ainda é um dos maiores maus dos seres humanos, seja na vida real ou dentro da literatura.


Foi uma das melhores coisas que eu já li na minha vida todinha! Podem acreditar, mesmo sendo um livro grande, se tivesse mais 100 páginas eu leria com uma sorriso no rosto (ou roendo as unhas dependendo do que estava acontecendo hehe). Mary E. Pearson tem um jeito único de escrever suas histórias. Ela é sensível e intensa! Suas descrições podem ser longas, mas são tão especiais que logo a gente acaba se perdendo na narrativa e não consegue parar até descobrir onde tudo vai terminar. Eu realmente espero poder voltar a esse universo um dia, seja com uma releitura ou com novos livros!


Quanto às edições, a do segundo segue a mesma linha da do primeiro livro, com a única diferença de que a paleta de cores é toda em vermelho. Geralmente eu torço o nariz para livros se séries e afins que são de cores tão diferentes, mas esses dois ficaram tão lindos um do ladinho do outro na estante que eu nem liguei. Na verdade, eu amo o trabalho gráfico feito nos dois ♥ o corte de página é colorido (azul no primeiro, e vermelho no segundo), e nas folhas de guarda tem uma ilustração linda da Boca do Inferno e da Torre da Vigília de Tor.



o autógrafo que é uma das coisas mais preciosas pra mim *-*

Alguém aí conhece a escrita da autora, seja por essa duologia ou pela trilogia principal? Espero que com a resenha eu tenha conseguido convencer alguém a ler. Todos os elogios tecidos a esses livros são verdadeiro, eu realmente amei muito!

Vocês podem comprar os livros aqui e aqui.

agora eu quero ir.


Minha psicóloga me disse que, caso acabasse, eu não precisava me sentir culpada. Que todos estão vulneráveis a se machucar quando entram em um relacionamento. E eu não me sinto tão culpada. Eu sei que tentei dar o máximo de mim enquanto durou. Eu tentei. Mas eu sinto muito, de toda forma. Sinto muito de verdade. Você foi a pessoa que eu mais deixei chegar perto nesse nível. E as coisas estavam bem. Bem... e poderiam continuar assim. Continuar bem. Mas bem não era o suficiente para mim. Isso estava me sufocando aos poucos. Mas eu juro que não fingi em nenhum momento. Foi tudo de verdade. Os sorrisos, os momentos juntos, as lágrimas. Eu me permiti sentir. Antes, eu simplesmente afastava as pessoas antes que elas pudessem parar na porta de entrada. E você não apenas parou, mas tocou a campainha, entrou, fez uma bagunça na sala de estar e ficou. Ficou por um tempo. E durante esse tempo, todos os dias, eu me perguntava como seria te deixar ficar para sempre. É meio idiota para algumas pessoas e, novamente voltando para algo que a minha psicóloga disse, talvez eu não precisasse dar tanto peso a isso. Na vida a gente conhece pessoas, elas são importantes, ficam por um tempo, e depois se vão. Às vezes sem ressentimentos ou grandes conflitos. Mas eu não conseguiria deixar as coisas assim. Durante muito tempo eu esperei que alguém chegasse, e muito provavelmente eu fui idealizando isso como é nos livros que eu leio. Algo que não fosse apenas "bom". Que fosse leve e tranquilo, como um quadro. Mas que também fosse intenso, como uma playground insano. E quando eu percebi que o que nós tínhamos não era tudo isso pra mim, e que talvez eu não quisesse estar num relacionamento, fosse com você ou com qualquer pessoa, é como se tudo que eu ia guardando bem no fundo desde o começo viesse a tona. E eu soube quando tomei a decisão. E eu sabia que seria doloroso, porque términos geralmente são. A gente se acostuma: as mensagens de "bom dia" e aos "tudo bem?". E no dia seguinte eu sabia que ficaria triste quando olhasse para o celular e não visse isso; eu sentiria um bolo se formando na minha garganta. Mas a decisão já estava tomada. E eu dei o salto de fé. E por mais que eu tenha ficado triste, de certa forma eu me sinto bem também. E eu sinto muito se você não se sente assim; se você sente que perdeu. O que me faz ficar bem por agora é voltar a sentir aquilo que eu sempre senti: a sensação de esperar por alguém que vá me deixar extasiada e deslumbrada. E é provável que eu fique sentindo isso por meses, e até por anos porque talvez eu não encontre na vida real algo dessa forma. Só que mesmo sendo solitário e às vezes doloroso, e por vezes desejar ter algo que seja somente bom, só para eu sentir que tenho alguém do meu lado (isso é errado, eu sei), a esperança que eu cultivo dentro de mim de viver e sentir algo no nível que eu fantasio é boa. A sensação é gostosa. Por outro lado, talvez eu não seja o tipo de pessoa que serve para relacionamentos. Quer dizer, eu sou muito independente. Eu nunca senti que precisava de alguém para me dizer que eu conseguiria fazer as coisas. Eu simplesmente consigo se eu me proponho aquilo. E acho que essa crença sempre me fazia ter apenas "quase-amores". Você foi o amor mais concreto que tive até hoje. E eu vou fazer o possível para lembrar apenas com carinho dessa relação. Eu sinto muito, mas eu precisava ir, porque quanto mais eu me acostumava com o que era apenas bom, sentia que estava me afastando de mim. E, como você mesmo disse, eu preciso me conhecer. E, caramba, eu estou num relacionamento comigo mesma há quase 20 anos. Eu me conheço, mas não tão bem ainda. Mas algo que sempre esteve claro pra mim é que eu nunca conseguiria me acostumar com algo que era apenas bom. Eu sei que ainda vou pensar muito nisso, em tudo que aconteceu. Mas, no momento, eu estou pensando como contar tudo isso para a minha psicóloga.

O Diário de Nisha (Veera Hiranandani)


Desde que eu, há muitos anos atrás, li o meu primeiro livro de verdade, tive plena consciência de que aquela história me mudou de alguma forma. Mesmo que para outras pessoas ela parecesse bobinha, a partir do momento que eu fechei a última página tentei extrair o máximo de ensinamentos possíveis. Com o tempo eu fui relaxando, confesso (hehe), pois existem história que simplesmente eu leio para me divertir. Mas mesmo essas que não me causam grandes epifanias ou são muito memoráveis para mim, eu tento lembrar que podem ter o poder de transformar a vida de alguém. Livros mudam as pessoas. E hoje eu vou falar de um livro que, assim como diz em sua contracapa, é capaz de abrir corações.


Palavras certas abrem corações. Gestos de amor, novos mundos. Nisha é uma menina muito tímida que vive na Índia junto com seu irmão gêmeo, seu pai, sua avó e Kazi, o cozinheiro da família. Ela, até o momento em que começa seu diário, vivia feliz, mesmo com sua timidez e a aparente frieza do pai. Mas as tensões religiosas causadas pela Partição da Índia - que se tornou dois países: Índia (de maioria hindu) e Paquistão (de maioria muçulmana) (saiba mais aqui) - obriga ela e sua família a procurarem um novo lar.

Nisha relata toda sua jornada desde o começo em seu diário, que é como um compilado de cartas para sua falecida mão. "Querida mamãe", é assim que ela sempre começa escrevendo. E apesar de todas as coisas horríveis, todas as dores que esse livro carrega, ele trás esperança e quer consciencizar os leitores, pois, por mais que não seja num cenário semelhante à Partição da Índia, todos os dias em diversos lugares do mundo pessoas são levadas pelo medo a deixar suas casas e tudo que conhecem em busca de novos lugares para viver. Eu repito o que disse na resenha de Refugiados - A última Fronteira: não são números, são pessoas!

É de cortar o coração ler tudo que Nisha escreve. Como eu disse anteriormente, ela é muito tímida, e  o fato de ter de lidar com essas mudanças forçadas e terríveis sendo ainda uma criança inocente só torna seu relato ainda mais emocionante. Muitas vezes ela se questiona o porquê de ter de deixar sua casa e tudo que conhece apenas por ter uma religião diferente.

Às vezes penso sobre por que estamos vivos, quando tantos outros morreram por nenhum motivo fazendo a mesma caminhada, atravessando a mesma fronteira. Todo aquele sofrimento, toda aquela morte, por nada. Nunca entenderei, enquanto viver, como um país pode mudar tanto da noite para o dia a partir de uma única linha divisória.
Apesar de todos os temas pesados, o livro não deixa de ser menos especial. A autora se baseou em histórias de sua própria família para criar a jornada de Nisha que é, mesmo sendo sofrida, de autodescoberta. É uma história preciosa justamente por conseguir mesclar o desespero com a esperança. A gente vai descobrindo junto com a Nisha que, por mais que as coisas estejam muito ruins, ainda há pessoas pelo qual vale a pena continuar vivo. Que o simples ato de falar pode ser grandioso. Eu fico com os olhos cheio de lágrimas só de lembrar do quanto me senti tocada por O Diário de Nisha. É triste e é doce ao mesmo tempo. É uma história que eu recomendaria para todas as pessoas. 


Preciso ressaltar mais duas coisas sobre o livro. A primeira é que existem muitos elementos da cultura indiana presentes, em especial a culinária. Em vários momentos enquanto lia eu ficava pesquisando imagens dos pratos citados, e até fiquei com vontade de ir até meu pai (que é cozinheiro hihi) para testar os dotes dele na culinária indiana. É tão legal isso! Um dos únicos livros além desse que se passa n Índia que eu me lembro de ter lido foi A Inesperada Herança do Inspetor Chopra, e me recordo de ter ficado fascinada, pois é cultura completamente diferente da nossa (e do padrão norte-americano a qual estamos acostumados).

A segunda coisa é que esse livro está lindo graficamente falando. No dia que eu levei ele para ler na faculdade várias pessoas pediram para olhar e o elogiaram. A DarkSide Books fez um trabalho maravilhoso! Acho que o detalhe que mais amei foram as flores e os passarinhos no corte de página, além do "fecho" que remete a um diário.


a playlist linda que a editora fez para o livro ♡


Foi uma das melhores leituras de 2019! No final eu fiquei desejando que tivesse mais páginas para que eu pudesse ficar um pouquinho mais com a Nisha. Na verdade, em vários momentos eu queria entrar na história para poder abraçar a Nisha e dizer que ficaria tudo bem.

Espero que a resenha tenha deixado pelo menos alguma pessoa curiosa. Vocês podem comprá-lo aqui.