The Beatles - Yellow Submarine


We all live in a yellow submarine... Yellow submarine, yellow submarine... Consegui ouvir esse trechinho na minha cabeça assim que o e-mail da DarkSide Books anunciando esse lançamento chegou. Os Beatles são umas das minhas coisas favoritas no mundo. Suas músicas, a história, toda a filosofia e peculiaridade que existe por trás dessa banda tão importante para a história da música me fascinam!

Nessa versão graphic novel do filme clássico e da cancão tão marcante, John, Paul, George e Ringo embarcam num submarino amarelo para ajudar os habitantes de Papperland a derrotarem os Malvados Azuis, uma gangue malvada que odeia música e toda a alegria presenta naquela terra.


Sempre fui uma pessoa alegre. De um jeito diferente, mas ainda assim alegre. Talvez em certas situações eu tenha usado disso para disfarçar minhas próprias inseguranças, mas continuo acreditando que o otimismo não faz mal a ninguém, pelo contrário. "Está tudo na mente, você sabe." As coisas que temos dentro de nós (felicidade, medo excitação) são poderosas. Tentar encarar as situações que nos são apresentadas da melhor forma, com sorrisos e acreditando que tudo vai ficar bem, é uma das melhores coisas que podemos fazer. E é exatamente isso que nosso quarteto faz quando são concavados para essa missão.


O livro pode parecer só uma confusão de cores, cenários estranhos e aleatoriedades, mas é isso que o torna especial. As coisas não precisam fazer sentido para serem incríveis! Yellow Submarine nos lembra de uma forma peculiar que o amor sempre vence o mal. É uma história simples, cheia de fantasia, e que me encantou da mesma forma que encantou as pessoas que assistiram a animação há 50 anos. Próxima parada, Papperland! ♡


A edição é outro ponto à parte. Ok, eu sempre elogio as edições da Caveira, mas que culpa eu tenho se são todas lindas e impecáveis? Haha. As ilustrações foram (re)feitas por Bill Morrison. A capa é dura, a folha de guarda é num amarelo pastel lindo, as folhas são lisas, mas com uma textura gostosa, e no final do livro têm páginas com esboços dos desenhos que dá vontade de colorir.


impossível ler esse livro sem ouvir esse álbum ao mesmo tempo!



usei minha nova caneca amarela para compor as fotos


Esse livro é um presente a todos os beatlemaníacos! Quem aí também é fã? Qual o favorito de vocês? Vocês podem comprar a HQ na Amazon ou pelo próprio site da DarkSide (por que agora a Caveira tem uma loja/casa própria!).

Com amor, L ❤️

Inferior é o Car*lhø (Angela Saini)


Embora eu tenha sido criada numa família com certos costumes... huuum... conservadores (?), muitas das coisas que minha mãe me dizia são condizentes com meus pensamentos atuais. "Não deixe nenhum homem mandar em você", ela dizia. Mas, ao mesmo tempo, eu ouvia falas como "coisa de menina" ou "se dê ao respeito". No auge dos meus sete anos de idade eu não tinha a cara e a coragem que tenho hoje para questionar certos argumentos.

No entanto, um episódio marcou bastante a minha infância: fui a uma festa de aniversário de uma colega. Na hora de abrir os presentes ela ficou radiante ao ver tinha ganhado o carrinho de controle remoto que havia pedido aos pais. Foi instantâneo: as pessoas, adultos e crianças, começaram a dizer que era "brinquedo de menino". Aquilo me incomodou demais, e eu fui uma das pessoas que foi com ela para dentro de casa; disse que poderia brincar com o que ela quisesse.


A verdade é que desde que o mundo é mundo o machismo existe. Minha professora de Psicologia Social já falou que ninguém sabe como o machismo começou, pois ele sempre esteve presente na sociedade. Já faz séculos que pensamentos e esteriótipos misóginos e sexistas são perpetuados, e, com eles, surgem pesquisas equivocadas, por exemplo sobre as 142 gramas que faltam ao cérebro feminino. Infelizmente, muitos acabam aceitando esses disparates como verdade. Inferior é o Car*lhø, da jornalista Angela Saini, chegou para mostrar como a ciência, como os homens, sempre tiveram errados em relação às mulheres. Em relação a nós!


É costume confiarmos cegamente no que a ciência diz. O que muita gente não percebe ou simplesmente se recusa a ver é que muitos dos estudos feitos até hoje foram realizados por homens. Segundo o próprio Charles Darwin, as mulheres eram "menos evoluídas" do que os homens. Claro que temos que levar em consideração que são épocas diferentes, e que algumas pessoas foram criadas para acreditar em certos paradigmas. Mas é muito revoltando que ainda hoje tenhamos que ouvir comentários machistas.

Inferior é o Car*lhø nos trás um texto excepcional de alguém que se dedicou totalmente a provar que as mulheres não são inferiores aos homens. As diferenças entre os sexos podem até existir no âmbito biológico, mas a ideia de que as mulheres são incapazes, intelectualmente inferiores, frágeis, castas... tudo isso se dá por uma construção social baseada em sandices. Claro, sandices essas que existem há séculos. As diferenças biológicas existentes entre os sexos devem ser desvinculadas da ideia de superioridade ou inferioridade.

O texto do livro está repletos de opiniões de especialistas, grande parte mulheres, que, assim como Angela Saini, estão convictos de que as diferenças entre homens e mulheres é social e cultura, não biológico como muitos estudos científicos que utilizam de esteriótipos de gênero querem provar. Além de também serem abordados assuntos como questões de gênero (porque sexo e gênero são coisas diferentes), a história da humanidade e a velhice.


Como mulher e feminista, posso dizer que achei um livro fantástico. Provavelmente um homem ou até mesmo uma mulher com um pensamento muito estigmatizado não acharia o mesmo que eu, pelo menos a princípio. E é por isso que esse livro é tão importante. Ele desconstrói ideais ultrapassadas já há muito reforçadas!

Eu nunca me senti inferior por ser mulher, mesmo com minha criação levemente machista. Depois que conheci o feminismo e passei a estudar, minha mente se abriu ainda mais. Não acredito mais "cores de menino" e "cores de menina", nem em características masculinas ou femininas.


Esse não é um livro apenas para mulheres ou feministas; é um livro para todos, meninos e meninas. Esqueçam as diferenças que nos foram impostas ao longo da vida. Querendo ou não, a luta pela igualdade, mesmo sendo protagonizada por mulheres, deve contar com ajuda de ambos os lados. E, garotos, as mulheres estão reescrevendo sua história nesse momento da humanidade; não tentem falar de um sofrimento pelo qual vocês não passam, e de uma luta que não é de vocês! Apoiem, lutem ao lado das mulheres, mas ciente dos seus próprios privilégios por serem homens.


No pacote que a Caveira me mandou veio esse botton lindo! ♡


Inferior é o Car*lhø faz parte da linha Crânio que se dedica a publicar livros de não-ficção. Não tenho certeza, mas acho que todos os livros desse selo estão em brochura. Claro que isso não diminui em nada a qualidade da edição: está toda em detalhes vermelhos, preto e branco. No início de cada capítulo tem uma collage art linda!

Ah, mais uma coisinha... eu posso estar errada, mas nos Agradecimentos Especiais estão os nomes de várias mulheres que trabalharam e apoiaram o livro. E eu encontrei o meu! Ok, é só um "Luana", mas como eu reconheci diversos nomes de parceiras da editora, não pude deixar de sorrir com isso.

Não existem meias palavras para corrigir o que foi perpetuado, a verdadeira conquista é poder contar a verdade.

Espero que todos tenham a oportunidade de ler esse livro. Ele é incrível! Foi minha primeira leitura de 2019, e tenho certeza que foi uma amostra do quão incrível literariamente falando meu ano pode ser. Vocês podem comprar o livro aqui e também dar uma olhadinha nos produtos que a Printerama fez em parceria com a DarkSide.

Com amor, L ❤️

Refugiados - A Última Fronteira (Kate Evans)


"Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades." Esse é um trecho do discurso que Charles Chaplin faz no filme O Grande Ditador, de 1940. O filme é excepcional, e o discurso, feito com maestria! Acredito que ele cabe muito bem no livro e assunto dos quais pretendo tratar hoje.

Refugiados - A última Fronteira é uma graphic novel da cartunista inglesa Kate Evans, publicada pela DarkSide Books. Kate foi voluntária na Selva, uma ~cidade dentro da cidade~ de Calais, na França, famosa por sua produção de renda, e que funciona como um centro para abrigar refugiados do Oriente Médio e África que esperam chegar ao Reino Unido. Nesse livro, ela trás relatos emocionantes desse tempo que passou na Selva, dando voz a histórias e situações que são, muitas vezes, invisibilizadas.


Com críticas claras à extrema direita e ao governo francês que, das duas às uma, fecha os olhos para as pessoas que estão na Selva ou as trata de forma totalmente hostil e violenta, Kate Evans nos apresenta uma obra excepcional. Mesmo sendo um quadrinho, as ilustrações nada amenizam o aperto no peito que sentimos ao lembrar que cada uma delas foi feita inspirada em casos reais, em vidas reais.

Quando assistimos ou lemos notícias sobre a Guerra na Síria e a questão dos refugiados, as pessoas, os mortos citados são números. Seres humanos que estão buscando asilo em outros países são tratados como números numa estatística. Quando paramos pra pensar nisso, percebemos o quão importante livros como Refugiados são.

Desde que li O Diário de Myriam passei a me interessar muito mais por tudo que permeia os conflitos na Síria. Essas pessoas que estão no centro do conflito, as que estão esperando ajuda para entrar em outros países e tentar reconstruir suas vidas, e até mesmo as que já estão refugiadas, precisam de ajuda, tanto na questão física quanto na questão psicológica. Eu curso psicologia, e foi graças a esses livros da DarkSide Books que eu pesquise e procurei saber se psicólogos podem ser mandados para fora do país pelo Médico Sem Fronteiras (podem!). Eles me deram uma nova perspectiva de futuro!


Foi uma leitura emocionante, embora não tão rápida, pois realmente me senti abalada por tudo o que estava lendo e "vendo". A edição está excepcional, com detalhes em renda, o que pode até soar como uma irônica: a renda é algo delicado e suave, totalmente o contrário do cenário em que a história se passa. É aquele tipo de livro que as pessoas podem não gostar de ler, mas que elas precisam ler.

Refugiados nos faz pensar o que estamos fazendo para ajudar o mundo, na nossa empatia e humanidade. Até quando tantas pessoas irão sofrer para que paremos de olhar só para a nossa bolha e comecemos a olhar para o que está lá fora? Encerro as minhas opiniões com mais um trecho d'O Grande Ditador: "Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido."


Como eu disse, a edição está lindíssima: num tamanho maior, capa dura e marcador de renda. No pacote que recebi da Caveira veio esse pequeno pedaço de renda e também uma bag do selo Graphic Novel que eu estou sorteando lá no instagram. ♡

Como deve ser sentir saudade de um lugar que não é seguro para você?
Essa foi minha última leitura de 2018. Qual foi a de vocês? Alguém aí ficou curioso para ler? Que outros livros sobre o assunto vocês tem para me indicar?

Com amor, L ❤️