O narcisismo de Baby Jane Hudson


Já fazia algum tempo que eu não lia um livro de suspense, mas suspense de verdade, que viesse com o intuito de me deixar tensa e temendo pelos personagens principais. Sinceramente, não estava com tantas expectativas para O que terá acontecido a Baby Jane?, mas assim que iniciei a leitura e vi do que realmente se tratava - não apenas o relacionamento dependente entre duas irmãs em fim de carreira -, percebi o quão enganada eu estava em subestimar essa obra.
Mantida em cativeiro por tempo indefinido, em meio a um espaço cheio de medo, começara a pairar em lugar murado, aflitivo, onde o tempo, o espaço e a luz nunca penetrariam. Ela se sentiu quase fora de seu corpo, curiosamente separada até mesmo de seus próprios instintos animais.

Baby Jane Hudson, quando criança, foi uma verdadeira menina prodígio: bonita, talentosa e encantadora. E, ah, também responsável pelo sustento de sua família e extremamente mimada por isso. Mas os holofotes, com o passar dos anos, foram lentamente de deslocando para sua irmã, Blanche Hudson. Sempre acostumada a viver à sombra de Jane, na fase adulta Blanche foi uma aclamada atriz hollywoodiana que viu sua carreira interrompida graças a um estranho acidente de carro que a confinou numa cadeira de rodas.

O livro se passa num momento aparentemente comum na vida das duas irmãs: ambas vivem isoladas em uma mansão, presas numa relação permeada de tensão e uma dependência quase patológica. Jane é responsável por cuidar de Blanche, mas sem nunca esconder seu descontentamento com a situação ou a inveja que ainda sente dela. Quando essa relação se torna insuportável, a história adentra uma camada ainda mais profunda (e perigosa), muito além do que apenas a mente perturbada e narcisista de Jane... e, por que não, da própria Blanche.


Quando li a premissa pela primeira vez logo pensei "eu não quero saber como duas senhoras passam seus dias" hehe. O que me levou a comprá-lo (além da edição linda ♡), foi saber das questões psicológicas que poderiam ser estudadas nele, em especial o Transtorno da Personalidade Narcisista de Baby Jane. Na verdade, não apenas o narcisismo, mas diversas outras questões podem ser analisadas em ambas as protagonistas - dependência, ódio, morte. Mas, como a personalidade narcisista é o que mais se destaca, será disso principalmente que eu irei falar no post. Ah, e é bom ressaltar que a narrativa está longe de se tratar apenas na vida monótona de Jane e Blanche.

O Transtorno da Personalidade Narcisista se caracteriza por comportamentos ou fantasias de grandiosidade, necessidade de admiração e falta de empatia que surge no início da vida adulta. A pessoa com esse transtorno constantemente tem uma sensação grandiosa da própria importância, se preocupa com fantasias de sucesso ilimitado, acredita ser "especial", demanda admiração excessiva, acredita possuir direitos. Elas exploram suas relações, tirando vantagem de outros para tingir seus fins. É invejosa e acredita que os outros as invejam, além de ter atitudes arrogantes.

Todos esses critérios citados podem ser vistos com clareza na Baby Jane. Ao contrário do que aluns podem pensar, pessoas que apresentam esse ou qualquer outro transtorno e doença mental podem conviver normalmente em sociedade. No entanto, Jane eleva sua doença a um nível completamente doentia, sendo constantemente assombrada por memórias do passado e acreditando veemente que sua irmã, de alguma forma, tramou para destruir sua carreira e sua vida. (Mas não se enganem, pois ao longo de toda a narrativa Blanche é pintada como vítima. Será mesmo?)


Henry Farrell conseguiu construir uma história com profundidade, permeada de suspense, terror psicológico e um final tão chocante quanto todas as páginas anteriores a ele. Eu simplesmente não conseguia parar de ler! Achei que, por ser um clássico, eu teria certas dificuldades, mas não. Pra ser sincera, é um livro atual e, de certa forma, até atemporal. Na era em que estamos vivendo, onde é fácil se tornar uma celebridade, histórias como a de Baby Jane Hudson (os ideias de grandeza, a inveja) podem facilmente acontecer.


Quanto ao filme de 1962, é um drama completamente a parte (hehe). Jane é interpretada por Bette Davis, enquanto Blanche foi vivida por Joan Crawford. As duas foram muito conhecidas na juventude, mas, quando o filme foi filmado, elas estavam quase no fim da carreira; o filme foi um comeback perfeito. E o drama dessas duas mulheres teria rendido um filme hollywoodiano só sobre o tema! Enquanto Bette era tida como uma ótima atriz, mas com uma beleza "limitada", Joan era considerada linda, mas com um talento mediano. Ou seja, uma tinha o que, tecnicamente, faltava na outra, e isso foi motivo para desentendimento durante anos. Agora imagina colocar ambas no mesmo set para interpretar personagens que também não se suportam!

Mas, fora as brigas e desentendimentos nos bastidores, de uma forma ou de outra elas fizeram um trabalho fantástico. O filme é quase totalmente fiel ao livro, além de ser incrível em todos os aspectos. É todo em preto e branco, e os cenários parecem ter sido tirados diretamente de dentro da cabeça de Farrell. Eu adorei! (tem no youtube)


Quanto à edição, ela é apenas mais um dos motivos para querer ler o livro. A capa tem um acabamento diferente, como se fosse almofadada. O corte de página é azul, e dentro dele, além do livro da Baby Jane e diversas fotos do filme, também tem incluso os seguintes contos do autor: O que terá acontecido a Prima Charlotte?, A estreia de Larry Richards e Primeiro, o Ovo. Parabéns DarkSide Books, você conseguiu mais uma vez. Vocês podem compra-lo aqui.

Espero que a resenha tenha deixado pelo menos alguém curioso quanto a essa leitura.


eu sou uma Baby Jane muito fofa hihi :)

Checklist de Halloween (2019)


Não acredito que uma das minhas épocas favoritas do ano está chegando. Ainda não consigo decidir se gosto mais do Halloween ou do Natal, por isso prefiro fingir que estou no universo do Jack Skellington e que tudo está juntinho e acontecendo ao mesmo tempo. Sempre que chega nos três últimos meses do ano eu tento me manter ocupada com coisas que gosto pois, não sei por que, começo a sentir uma certa ansiedade com chegada do fim de mais um ano. Por isso o fato de essas duas datas comemorativas serem tão pertinho uma da outra me deixa tão feliz! Mas, enfim, ainda não estamos tão perto do Natal, por isso vamos focar no Dia das Bruxas. Em outubro do ano passado eu também fiz uma checklist, então achei legal manter a "tradição" hehe.

♥️ Ir para a faculdade vestida de bruxa: não sei se alguém lembra de umas fotos que tirei há dois anos com meu vestido de renda marrom e meu chapéu de bruxa. Sinto saudade dessas fotos e dessa combinação, por isso, esse ano, apesar do calor infernal que está fazendo, eu quero ira pra faculdade com essa roupa de bruxinha. E vou combinar com um tênis porque sim.

♥️ Reler O Lar da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares e os outros livros da minha tbr: eu tenho tanto livro incrível para ler nessa época do ano (oi DarkSide, obrigada pelos mimos). Que já estou imaginando o tamanho da pilha que vai ficar ao lado da minha cama. Mas um dos focos principais é ler o primeiro da série da Srta. Peregrine (e ir lendo os outros ao longo dos meses até o lançamento do quinto livro).

♥️ Produzir conteúdo temático para o YouTube: tem muito conteúdo de Halloween aqui no blog, mas são coisas mais antigas. Mesmo eu amando tudo que já fiz, pretendo mostrar mais de quem eu sou hoje no meu canal. Vou falar de livros, filmes, gravar vlogs...

♥️ Decorar meu quarto para o Halloween: eu já estou com tantas ideias. Nesses últimos dias de setembro mesmo eu quero ir no centro da cidade comprar tudo que eu imagino que vou precisar para decorar meu quarto, nem que seja só um pouquinho, só uma abóbora com docinhos hihi. Mas, antes disso, preciso dar um geral nele e reorganizar a estante.

♥️ Conseguir as minhas abóboras pequenininhas: sabe aquelas abóboras morangas bem pequenas? Pois bem, eu sempre quis ter várias daquelas nessa época do ano, mas nunca encontrei. Até que esse ano eu tive a brilhante ideia de falar com meu, que é cozinheiro e, pela lógica, saberia me dizer onde encontrá-las. E ele me prometeu que vai tentar conseguir algumas pra mim. Tudo bem que talvez esse item não dependa tanto de mim, mas eu quis colocar na checklist mesmo assim.

♥️ Assistir a todos os filmes da "minha lista" na Netflix: eu adicionei tantos filmes de Halloween lá que já estou animada, tanto que acho que vou antecipar o meu prazer começando a ver esses filmes desde agora. Ah, também quero ver os episódios temáticos de Halloween dos Simpsons (que infelizmente não estão na Netflix, mas que, tenho certeza, vai ter maratona do canal da Fox).

♥️ Organizar um concurso de Halloween no instagram: não é tão difícil quanto o nome faz parecer! Para participar basta tirar uma foto e publicar no instagram (pode me marcar se quiser) (eu sou a @srtarouxinol!) usando a hashtag #HalloweenPeculiar. A foto mais criativa vai ganhar um prêmio que tá muito incrível: uma edição de Exorcismo publicada pela DarkSide Books, além de vários marcadores da editora, um DVD de Invocação do Mal, e pacotinhos de doces da Fini! Pois é, esse prêmio tá muito top, então eu quero ver o pessoal tudo participando (caso contrário vou guardar tudo pra mim).

♥️ Gravar vlog do meu 31 de outubro: ainda não sei o que vou fazer nesse dia. Talvez eu fique em casa vendo filmes e comendo docinhos da Fini, talvez eu vá na Casa da Bruxa (que ideia espetacular) (eu preciso ir lá algum dia de outubro e isso já poderia se tornar um novo item nessa checklist), talvez eu encontre alguma festa para ir... não sei, mas eu vou gravar vlog desse dia!
Estou animada! Vou tentar não ficar me cobrando nem nada, mas sim tentar deixar o mês o mais divertido e leve possível. Quais seus planos para outubro?

hocus pocus

Dance of Thieves (Mary E. Pearson)


Mesmo levando anos e anos numa vida de leitora, eu ainda não consigo decidir se gosto mais de livros únicos ou séries. Existem livros que são perfeitos do jeitinho que são, e não precisam de nenhuma continuação. Já, em outros casos, eu fico triste só de imaginar viver num mundo onde a série toda não exista. De qualquer forma, quando se trata de trilogias, sagas ou séries, eu sempre vou ficar receosa quando, depois de um tempo, o autor anunciar que irá dar continuidade à história. Isso aconteceu até mesmo com Mapa dos Dias, o quarto da série da Srta. Peregrine (só aquele medinho básico, mas que se mostrou bobo porque eu amei o livro mais que tudo!) (meu livro favorito de 2018).

Bom, e eu com certeza também fiquei com o pé atrás com o lançamento de Dance of Thieves, o livro que é o primeiro da duologia Dinastia de Ladrões e que se passa cinco anos após os acontecimentos finais das Crônicas de Amor e Ódio (links das resenhas ali em baixo). Explicando: eu adorei as Crônicas, mesmo com alguma ressalvas com o último livro, então, pra mim, não havia mais o que pudesse ser contado sem arruinar as boas lembranças que eu tive me aventurando por esse universo. Mas, eu tenho que admitir, eu estava redondamente enganada em duvidar do potencial dessa nova história!

Resenhas dos livros de Crônicas de Amor e Ódio: Crônicas de Morrighan | The Kiss of Deception | The Heart of Betrayal | The Beauty of Darkness


Caso você não conheça os livros da Mary E. Pearson, tudo bem. Dance of Thieves é um livro que pode ser lido separadamente dos outros, mas eu já deixo alertado que com umas cinco páginas já tem spoiler do final das Crônicas hehe. Nele, somos apresentados a dois personagens: Kazi, que é uma ladra reformada e que faz parte da guarda de elite da rainha de Venda; e Jase, o novo patriarca da poderosa dinastia dos Ballenger. Kazi é enviada pela rainha junto com outras duas Rathan para investigar violações de tratados pelos Ballenger, além de uma missão secreta muito mais importante para a rainha. Mas, depois de acontecimentos que a aproximam de Jase, a imagem que sempre teve da família Ballenger começa a se modificar, assim como a do próprio Jase em relação aos vendanos.
Os fantasmas ainda estão aqui. As palavras permaneceram por um tempo no ar, cada uma delas um espírito reluzente, frios sussurros de cautela, mas eu não estava com medo. Eu já sabia. Os fantasmas, eles nunca vão embora.

Acredito que uma das primeiras coisas que vale a pena ressaltar sobre Dance of Thieves é que ele mostra claramente o quanto diferentes pontos de vista podem alterar totalmente uma situação, independente de quem está certo ou errado. Kazi e Jase foram criados para acreditar em certos paradigmas específicos, com realidades totalmente diferentes, e isso altera a visão atual deles sobre toda a tensão que permeia naquele momento. Os dois estão certos, os dois estão errados. Ou seja, no final só existem dois seres humanos que veem as coisas à sua maneira. E é tão legal ver como cada um enxerga as coisas (o livro tem capítulos intercalados), e mais legal ainda é ver esse casal m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o brigando hahaha!

Mas, além desse casal incrível e com um química maravilhosa, a história por si só é incrível. É nítida a evolução e o amadurecimento na escrita da Mary E. Pearson. Mesmo sendo um livro grande, ela sabe regrar bem o desenvolvimento dos personagens e dos conflitos, as descrições e flashbacks, e, claro, os momentos em que as coisas realmente acontecem. Tudo isso regado a uma escrita delicada, dramática e poética ao mesmo. Por mim o livro podia ter mais umas cem páginas que não ia reclamar...

O livro também conta com personagens femininas fortíssimas, a começar pela própria protagonista,
que é uma verdadeira guerreira, mas que também não poderia ser mais humana, não só que pelo faz no momento em que o livro se passa, como também pelo que aconteceu quando ela era criança. Além das outras duas Rathan que também são suas amigas, e que são incríveis: Synové e Wren. Na verdade, todos os personagens secundários têm suas histórias particulares, e que acabam sendo interessantes e bem desenvolvidas como a dos próprios protagonistas.

Dragões famintos podem dormir durante anos, mas ele não mudam seus hábitos alimentares. Ele deve ser encontrado. Os mortos demandam justiça, assim como os vivos.
Eu só posso dizer que tive todas as expectativas - que eu nem sabia que tinha - atendidas. Kazi e Jase, contem comigo para tudo! A história desses dois me emocionou e me instigou de tal maneira que era como se cada página passada me chamasse a ler mais, ao mesmo tempo que uma parte de mim queria ir devagar só para ter o prazer de ver essa história durar. Pra ser sincera, eu gostei muito, tipo muito mais desse livro do que de toda a trilogia das Crônicas, e olha que eu sou apaixonada por The Heart of Betrayal (rindo de nervoso só de lembrar desse livro). Foi uma jornada fantástica e que, felizmente, está só na metade porque Vow of Thieves logo logo está chegando (e eu não aguento mais esperar!) (compre aqui).


E, aaa, eu precisava tirar fotos desse autógrafo, né? Nem eu acreditei quando abri o pacote, vi esse livro (porque eu já tinha recebido um meses antes) e encontrei ele autografado, com o meu nome! O surto foi real, e agora ele é maior ainda porque eu tenho um dos melhores livros que já li na minha vida autografado por uma autora incrível. Eu sou uma Rathan muito feliz ♡ (oi DarkSide e Raquel, vocês são perfeitas!)

E, sobre a edição, eu adorei tudo nela. Gostei de terem feito um novo modelo de capa para essa duologia, e não seguido aquele estilo de silhueta como as das Crônicas (mas eu amo aquelas capas também hehe). E o corte de página é azul escuro, assim como a capa!


aquela coleção que me enche de orgulho ♡ aguardando ansiosamente por Vow of Thieves


Espero que o post tenha deixado vocês curiosos para ler esse livro e conhecer a escrita encantadora de Mary E. Pearson. Se alguém já leu, vamos por favor declarar nosso amor pelo Jase por ele junt@s e falar sobre aquele final...